Saltar para o conteúdo

Antiga Linha do Corgo: utentes de Vila Real pedem melhor piso e segurança

Casal a andar de bicicleta por caminho junto a linha férrea e vinhas em zona rural ao final da tarde.

Os utilizadores de Vila Real defendem um piso melhor, maior continuidade e mais segurança na antiga Linha do Corgo. Querem aproveitar este percurso plano e livre de trânsito, sem que se perca a memória do comboio.

Embora já não circulem comboios na antiga Linha do Corgo, o corredor continua a ser usado por pessoas. Logo de manhã ou ao final do dia, muitos entram neste espaço como se encontrassem um intervalo de tranquilidade dentro da cidade de Vila Real. Há quem corra, pedale ou simplesmente caminhe. Sem automóveis e sem semáforos, ficam apenas o percurso e o ritmo de cada um.

Antiga Linha do Corgo para correr e pedalar

Rui Gonçalves corre por aquele trajeto "cerca de três vezes por semana". Habitualmente, começa junto à antiga estação da cidade e segue para norte ou sul, até onde o estado do piso o permite. No sentido da Régua, as pedras e as irregularidades de alguns segmentos obrigam-no a ter mais atenção à passada. "A partir do campus da UTAD, é quase mato, é bom para o trail", relata. Não defende a colocação de alcatrão, mas sim um piso "mais suave", adequado para quem corre e que mantenha o carácter do caminho.

Tiago Fraguito percorre o mesmo corredor de bicicleta. Nos locais que ainda não foram intervencionados, "o terreno é irregular", o que reduz o conforto de ciclistas e corredores. Já nos troços requalificados, a mudança é evidente. "Aqui é espetacular, é ótimo." O declive moderado da antiga via ferroviária permite avançar sem grandes diferenças de altitude, algo pouco comum num concelho marcado por subidas e descidas. "Nós somos uns privilegiados aqui em Vila Real", admite.

Marina Tavares também utiliza a antiga linha para correr e nota que há cada vez mais pessoas a praticar desporto naquele local. Para si, a requalificação do antigo corredor ferroviário será "uma mais-valia", em especial por permitir treinar afastada do trânsito. Na preparação para uma maratona, quando precisava de realizar percursos de 25 ou 30 quilómetros, Marina e uma colega seguiam pela "linha" em direção a Vila Pouca de Aguiar, afastando-se da cidade. Os treinos decorreram bem, mas, quando a via tiver melhores condições, "será muito mais prático".

Ecovia com continuidade, conforto e segurança

Desta forma, a futura ecovia já faz parte do quotidiano destes utilizadores antes de se tornar tema dos discursos oficiais. Não é apenas um projeto partilhado por municípios, nem um traço num mapa. É um espaço onde se pode preparar uma maratona, onde uma família consegue passear sem receio dos automóveis e onde uma bicicleta pode avançar durante quilómetros sem competir com o trânsito da cidade.

Para quem frequenta o antigo canal ferroviário, a intervenção traduz-se num pavimento mais uniforme, continuidade do percurso, limpeza, sinalização e segurança. Rui pretende correr sem o risco de tropeçar nas pedras. Tiago procura maior conforto ao pedalar. Marina deseja um trajeto longo e plano. Nenhum deles reclama uma pista artificial: querem somente um caminho que lhes permita seguir em frente.

Melhorar a ecopista sem esquecer a ferrovia

Altino Cunha, que também corre naquele local, apoia a intervenção, mas sublinha que "uma coisa não invalida a outra". Na sua perspetiva, melhorar a ecopista poderá incentivar o exercício físico, porém "não deve apagar a memória da ferrovia nem encerrar o debate sobre o regresso do comboio".

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário