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Espanha atrai investimento chinês na indústria automóvel

Carro elétrico cinzento moderno estacionado em espaço interior com grandes janelas e vista para edifício famoso na cidade.

Tal como numa final resolvida por pormenores, o país vizinho parece estar a disputar melhor a partida fora do relvado. Tira partido de cada ocasião, antecipa jogadas e posiciona-se de forma inteligente numa nova competição: a corrida pela captação de investimento industrial.

Enquanto outros ainda analisam o adversário, Espanha já converte essa vantagem em resultados concretos. Em particular, está a atrair a atenção dos construtores chineses, que correm contra o tempo para iniciar a produção na Europa e identificam o país como um dos destinos mais apelativos.

Não estão em causa apenas as tarifas adicionais impostas pela União Europeia (UE) aos automóveis elétricos produzidos na China, mas também possíveis novas normas que poderão exigir aos fabricantes uma percentagem mais elevada de componentes fabricados na Europa.

Espanha na corrida pelo investimento automóvel chinês

Neste enquadramento, um número crescente de fabricantes escolhe Espanha para instalar a produção dos seus modelos. A maturidade da indústria automóvel, uma rede de fornecedores já estabelecida e custos laborais competitivos são fatores que têm impulsionado novos investimentos.

Entre os projetos de maior dimensão destacam-se a fábrica de baterias da CATL e da Stellantis, em Saragoça, e a produção de modelos da Chery e da EBRO nas antigas instalações da Nissan, em Barcelona.

Mão de obra chinesa

Estes investimentos, contudo, não serão sustentados exclusivamente por trabalhadores espanhóis. De acordo com um relatório do Governo espanhol consultado pela Bloomberg, a construção da fábrica de baterias da CATL e da Stellantis, orçada em 4,1 mil milhões de euros, recorrerá a “trabalhadores expatriados” até ao final de 2028.

A situação não constitui propriamente uma surpresa. Quando o investimento foi oficialmente anunciado, já era conhecido que a construção da unidade dependeria sobretudo de trabalhadores chineses: “São eles (trabalhadores chineses) que sabem como construir uma gigafábrica. À medida que a produção aumentar, também vão ser criados mais postos de trabalho para trabalhadores espanhóis”, afirmou José Juan Arceiz, secretário-geral do sindicato UGT em Aragão, a região onde a fábrica será instalada.

No caso da Chery, a abordagem é distinta. Em vez de erguer uma fábrica de raiz, o construtor chinês criou uma parceria com a espanhola EBRO para fabricar automóveis nas antigas instalações da Nissan, em Barcelona.

A produção já começou, representando o primeiro projeto industrial da Chery em território europeu. O Governo espanhol encara este investimento como estratégico, tanto para fortalecer a indústria automóvel do país como para aprofundar os laços económicos com a China.

A estes dois projetos soma-se a parceria entre a BAIC e a Santana Motors, que procura reativar a produção de veículos todo-o-terreno espanhóis através de capital e tecnologia chineses.

No conjunto, os três investimentos poderão gerar quase 6000 empregos diretos em Espanha: mais de 4000 na fábrica de baterias da CATL e da Stellantis, 1600 na EBRO Motors e cerca de 210 na Santana Motors.

Continua por esclarecer quantos destes lugares serão preenchidos por trabalhadores oriundos da China. O Ministério da Indústria espanhol não respondeu aos pedidos de esclarecimento.

E os fornecedores?

O entusiasmo gerado por estes investimentos não elimina as questões relativas ao seu verdadeiro efeito na indústria automóvel europeia.

Numa fase inicial, uma parcela relevante dos componentes continuará a chegar da China, ficando as fábricas espanholas essencialmente responsáveis pela montagem dos veículos. A expectativa passa por desenvolver, à medida que a produção aumentar, uma rede de fornecedores europeia capaz de assegurar uma percentagem superior dos componentes.

Por enquanto, porém, ainda não é possível saber em que medida estes projetos resultarão numa transferência efetiva de tecnologia e na criação de centros locais de investigação e desenvolvimento.

Espanha já assegurou o investimento, como quem vence uma final. Resta perceber se também conseguirá manter a posse de bola e converter esta vantagem numa vitória duradoura dentro de portas.

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