Esqueça a pressão pelos resultados, os gritos de exigência e a competição tóxica. Para o Magic Minas, praticar basquetebol é, acima de tudo, uma ferramenta de acolhimento, liberdade e ocupação do espaço público.
Há dez anos, o colectivo demonstra que o campo também pertence às mulheres - independentemente da idade, do corpo, da rotina profissional ou de nunca terem pegado numa bola laranja.
O que nasceu em 2016, sem grandes pretensões, entre um grupo de amigas na Vila Mariana, transformou-se num verdadeiro movimento social e desportivo. No ano seguinte, uma publicação despretensiosa no Facebook, à procura de novas jogadoras, levou mais de 80 mulheres a juntarem-se de uma só vez.
Actualmente, a rede reúne mais de 400 participantes, que aprendem e partilham a vida dentro e fora dos campos de São Paulo.
Ocupar é um acto político (com apoio da Magic Paula)
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A história do colectivo ganhou uma dimensão marcante a 10 de Julho de 2017. Naquele período, as jogadoras tinham dificuldade em partilhar o campo da Praça Rotary, na Vila Buarque, com utilizadores homens que não respeitavam os horários definidos para o basquetebol feminino.
A resposta chegou através da presença e do drible: a ocupação pacífica “A quadra também é das minas” juntou mais de 100 mulheres naquele espaço, para reivindicarem o seu direito à cidade. A iniciativa contou com o apoio e a presença especial da campeã mundial Magic Paula, a figura que inspirou o nome do colectivo. Ao longo dos anos, o projecto recebeu também o carinho e o aval de outras referências do basquetebol nos treinos, como Janeth, Alessandra e Ana Mota.
O impacto da acção foi tal que permitiu conquistar novos horários, acesso a pavilhões e, em 2018, uma renovação total do campo da Rotary, realizada em parceria com a Nike e o colectivo artístico Efêmmera.
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A essência deste percurso está expressa no manifesto do grupo, que coloca o cuidado colectivo no centro de cada jogada:
“Somos mulheres que se encontram em quadras públicas de São Paulo para aprender, jogar e construir um esporte livre, diverso e acessível, a partir de um ambiente de cuidado e segurança psicológica […] Não jogamos por placares. Jogamos por afeto, ocupação e direito.”
O colectivo actua de forma autónoma, apartidária e transparente, sendo gerido voluntariamente por um Grupo de Trabalho (GT) formado pelas próprias participantes. A contribuição mensal é simbólica e destinada exclusivamente ao pagamento das professoras, assegurando a sustentabilidade da iniciativa sem criar obstáculos financeiros.
Além dos campos utilizados no dia-a-dia, o grupo estabelece parcerias com grandes instituições, como o Sesc SP e a Escola Móbile, para promover o basquetebol feminino de forma descontraída, acessível e inclusiva para todas as pessoas, respeitando os diferentes percursos e limitações físicas.
Como funciona o serviço e como participar nos treinos
Quer vestir a camisola, começar a aprender ou simplesmente libertar a energia acumulada durante o dia de trabalho? O primeiro treino é 100% gratuito e o acolhimento está garantido.
Valores da contribuição comunitária:
- Primeiro treino: gratuito para conhecer o grupo!
- Treino avulso: R$ 15,00, para quem participa ocasionalmente.
- 1 vez por semana: R$ 40,00 por mês.
- 2 vezes por semana: R$ 60,00 por mês.
Locais e dias dos treinos
- Segundas-feiras (das 20h às 22h): treino orientado pela professora Ivana, na Praça Rotary, em Vila Buarque.
- Quartas-feiras (das 20h às 22h): treino livre num campo público perto do Metro Vila Mariana; o Parque da Aclimação encontra-se actualmente em obras.
- Sextas-feiras (das 20h30 às 22h): treinos no Centro Desportivo Mané Garrincha, actualmente suspensos temporariamente enquanto se aguarda uma nova instrutora.
Canais de contacto e apoio
Instagram: @magicminas
E-mail: [email protected]
Facebook: /MagicMinasBasquete
Seja para fazer o primeiro lançamento ou para encontrar uma rede de apoio na selva de pedra, o Magic Minas demonstra que jogar em conjunto é a melhor forma de transformar o asfalto em pertença.
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