Em França, dois jovens empreendedores deram forma a uma ideia que, à primeira vista, parece quase absurda: transformam um subproduto da produção de cerveja num ingrediente para massa. O resultado são Gnocchi que chegam às prateleiras refrigeradas dos supermercados biológicos por 3,40 euros por embalagem - e que, ao mesmo tempo, mostram como o desperdício alimentar pode ser convertido de forma direcionada em novos produtos.
O que até agora ia para o lixo na cervejaria
Quem fabrica cerveja precisa sobretudo de cevada ou de outro cereal, água, lúpulo e levedura. No fim do processo de fabrico, fica um resíduo sólido. Essa massa é rica em fibras e proteínas, mas, do ponto de vista da cervejaria, continua a ser apenas um subproduto.
Normalmente, este material segue para a agricultura: acaba no alimento de vacas, porcos ou galinhas. Para as pessoas, até agora quase não tinha relevância. É precisamente aí que os dois empreendedores entram em ação: secam o resíduo cerealífero, trituram-no até obter farinha e usam-no como ingrediente numa receita de Gnocchi.
De um resíduo clássico da produção de cerveja nasce um alimento comercializável com valor acrescentado - sem necessidade de cultivar novas matérias-primas.
Cerca de doze por cento da massa dos novos Gnocchi é composta por esta farinha especial. O restante mantém-se clássico: batata, farinha de trigo, água e um pouco de sal. A base, portanto, é familiar, enquanto o componente especial acrescenta um efeito adicional.
Como o resíduo da cervejaria se transforma em farinha de qualidade
O caminho do caldeiro de fabrico até à prateleira biológica passa por várias etapas. Para que o resíduo se torne comestível e se conserve bem, é necessária uma transformação cuidadosa.
- Separação: após o processo de fabrico, o resíduo sólido de cereal é separado da cerveja líquida.
- Secagem: a massa ainda húmida é seca com cuidado para não se estragar.
- Trituração: depois de seca, a matéria pode ser processada como cereal e transformada em farinha.
- Mistura: esta farinha especial é adicionada em pequena quantidade à massa clássica dos Gnocchi.
A proporção de doze por cento pode parecer baixa à primeira vista, mas é suficiente para alterar os valores nutricionais e o sabor. Ao mesmo tempo, a textura mantém-se próxima dos Gnocchi a que os consumidores estão habituados - um ponto importante para não afastar clientes.
Sabor que não sabe a compromisso
A grande questão nestes produtos é sempre a mesma: sente-se o sabor? Segundo relatos provenientes de França, a farinha feita a partir do resíduo da cerveja confere aos Gnocchi uma nota ligeiramente torrada, quase a frutos secos. Não é um sabor intenso a cerveja, mas antes uma nuance subtil, parecida com tostado.
É precisamente este pormenor que pode decidir se uma ideia de sustentabilidade se transforma ou não num produto duradouro. Muitos compradores aceitam novos ingredientes desde que estes não prejudiquem o prazer de comer. No melhor dos cenários, o produto oferece até um aroma mais interessante do que a versão convencional.
A sustentabilidade por si só não basta: só quando sabor, preço e utilidade no dia a dia estão alinhados é que um produto de valorização de resíduos tem hipótese no supermercado.
Os Gnocchi são vendidos em lojas biológicas francesas como a Biocoop a um preço de 3,40 euros por embalagem. Isto coloca-os na gama habitual de massas frescas biológicas comparáveis. A mensagem para os clientes é clara: não se trata de um luxo, mas de um produto corrente, com preço normal e valor adicional.
Mais fibras, mais proteína: o que estes Gnocchi podem oferecer
A massa residual resultante da produção de cerveja contém naturalmente muitas fibras e proteínas. Ao ser utilizada como farinha, uma parte destes elementos passa para os Gnocchi. A tabela nutricional exata varia consoante a receita, mas a direção é evidente: a massa torna-se um pouco mais “completa”, sem se transformar logo em comida de fitness.
Efeitos típicos deste ingrediente:
- teor mais elevado de fibras, o que pode prolongar a sensação de saciedade
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