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O que se pode esconder por trás deste hábito surpreende até os especialistas

Jovem a cozinhar numa cozinha moderna com legumes frescos sobre o balcão de madeira.

Enquanto algumas pessoas, depois de cozinhar, ficam no meio de um caos de tachos, tigelas e tábuas de corte, outras já vão limpando as superfícies durante a confeção e arrumando de imediato os utensílios usados. Segundo os psicólogos, exatamente esta pequena rotina do dia a dia diz muito sobre a personalidade, o nível de stress e até o sucesso no trabalho.

O que fascina os psicólogos na facção da «limpeza enquanto se cozinha»

Especialistas em psicologia identificaram, em vários estudos, uma ligação clara entre arrumar enquanto se cozinha e determinados traços de personalidade. Quem nunca deixa o fogão e a bancada mergulharem totalmente no caos comporta-se, do ponto de vista estatístico, de forma diferente das pessoas que só pegam na esponja depois de comer.

Quem limpa em paralelo com a confeção costuma revelar mais estrutura, nervos mais fortes e um bom sentido de prioridades - muito para além da cozinha.

No fundo, está em causa o chamado funcionamento executivo. Aí entram capacidades como:

  • memória de trabalho: manter vários passos e informações ao mesmo tempo na cabeça
  • pensamento flexível: mudar rapidamente de estratégia quando algo corre mal
  • autocontrolo: manter sob controlo tentações e distrações

Estudos, incluindo investigações de grandes institutos de pesquisa nos Estados Unidos, mostram que as pessoas que, enquanto mexem o molho, também lavam tábuas de corte e mantêm a bancada desimpedida, costumam lidar melhor com múltiplas tarefas. Sentem-se menos sobrecarregadas quando várias coisas exigem atenção ao mesmo tempo - seja no escritório, seja no dia a dia familiar.

Menos confusão, menos cortisol: como cozinhas arrumadas ajudam a relaxar

A desordem no campo de visão faz subir a hormona do stress, o cortisol. Isto é sustentado por vários estudos psicológicos, que mostram que o caos visual sobrecarrega o cérebro com estímulos. Quanto mais tachos, embalagens e migalhas estiverem espalhados, mais difícil se torna manter a calma.

Quem lava, separa e limpa enquanto cozinha reduz esse ruído visual. O resultado: a cozinha parece mais tranquila, mesmo quando o temporizador apita e a água está a ferver.

A ordem na bancada transmite ao cérebro: «Está tudo sob controlo» - isso reduz o stress e torna a cozinha, muitas vezes, bem mais relaxante.

Muitas pessoas com esta rotina dizem sentir-se ao cozinhar quase num pequeno estado de fluxo. Avançam passo a passo, entram menos em aflição e conseguem concentrar-se melhor no sabor e na preparação, em vez de já desistirem mentalmente diante da montanha de loiça que virá a seguir.

Porque é que quem gosta de ordem costuma ser também melhor a planear

O comportamento na cozinha reflete muitas vezes a forma como as pessoas lidam, em geral, com o espaço e com as estruturas. Quem consegue usar os tachos de modo a gerar o mínimo de sujidade possível, ou ter logo à mão a taça certa, costuma demonstrar uma boa capacidade de تصورação espacial.

Os psicólogos observam que estas pessoas também costumam ser fortes noutras áreas, por exemplo em:

  • fazer malas ou caixas
  • planear a disposição dos móveis
  • organizar documentos ou ficheiros digitais
  • coordenar horários e processos

A capacidade de encurtar percursos de trabalho e de colocar as coisas de forma lógica poupa tempo e nervos. É exatamente esse tipo de pensamento que aparece nas pessoas que, enquanto cozinham, vão introduzindo continuamente pequenos passos de arrumação e limpeza.

Consciencioso, fiável, determinado: o que o carácter tem a ver com isto

Na psicologia da personalidade existe o modelo dos «cinco grandes» traços. Um desses fatores principais chama-se conscienciosidade. As pessoas que, ao cozinhar, não esperam até a pilha de loiça ficar enorme tendem a obter pontuações particularmente altas neste domínio.

Em geral, estas pessoas são vistas como:

  • fiáveis - tendem a cumprir o que prometem
  • pontuais - prazos e marcações escapam-lhes menos vezes
  • orientadas para objetivos - pensam no resultado final, não apenas no momento
  • persistentes - concluem com mais frequência as tarefas que começaram

Quem mantém a arrumação «em paralelo» com a cozinha revela muitas vezes a mesma postura em projetos, finanças ou metas de saúde: continuar em vez de adiar.

No quotidiano, isto nota-se, por exemplo, porque estas pessoas tendem a ter rotinas noturnas fixas, confiam em listas de compras, tratam dos prazos ou dos exames de prevenção com antecedência - e são muitas vezes as primeiras, em trabalhos de grupo, a perguntar: «Quem faz o quê - e até quando?»

Controlo dos impulsos: não é só o chocolate que fica no armário

Arrumar enquanto se cozinha também significa não ceder ao lado mais preguiçoso. O impulso costuma ser: «Primeiro come-se, depois vê-se». Quem decide conscientemente o contrário e pega no pano antes de servir está a treinar a autodisciplina.

A Associação Americana de Psicologia classifica precisamente esta capacidade - o controlo dos impulsos - como um bloco importante para o sucesso a longo prazo. Ela ajuda a tomar melhores decisões em várias áreas da vida, por exemplo em:

Área Exemplo de forte controlo dos impulsos
Finanças Poupar dinheiro em vez de fazer compras por impulso
Saúde Cumprir o treino em vez de ficar no sofá
Trabalho Concluir tarefas em vez de verificar as redes sociais
Relações Respirar fundo primeiro e só depois reagir - em vez de explodir

Quem, portanto, na cozinha resiste à tentação de «deixar o caos para mais tarde», muitas vezes aprendeu a adiar uma comodidade imediata em favor de uma vantagem futura. Essa atitude compensa em muitos contextos da vida.

Melhor regulação emocional: manter a calma quando a coisa aperta

Também é interessante perceber o que cozinhar e limpar ao mesmo tempo revela sobre a gestão das emoções. Quem consegue tratar de várias tarefas em simultâneo sem entrar em pânico costuma ter uma regulação emocional estável.

Conseguir manter a calma no meio de gordura a salpicar, um temporizador a tocar e a bancada cheia aponta para nervos fortes e prática no contacto com o stress.

Estas pessoas deixam-se mais raramente desestabilizar por problemas. Situações típicas incluem:

  • pressão no trabalho, quando vários prazos coincidem
  • conflitos na vida pessoal
  • alterações súbitas de planos, como comboios cancelados ou chamadas urgentes

Quem, nesses momentos, age de forma semelhante à da cozinha - ordenar, priorizar, avançar passo a passo - costuma ter picos de stress bastante mais baixos e recupera mais depressa de dias desgastantes.

Pensamento antecipado: alguns segundos agora, muito tempo poupado depois

Outro ponto salientado pelos psicólogos: as pessoas que arrumam regularmente enquanto cozinham pensam mais vezes a longo prazo. Aceitam investir alguns segundos no presente para poupar trabalho mais tarde.

Isto parece trivial, mas representa um padrão mental de base: quem age com antecipação em pequenas coisas do quotidiano tende também a poupar para a reforma, a avançar com formações profissionais ou a trabalhar, passo a passo, para objetivos pessoais.

Muitas pessoas relatam o mesmo: quando a cozinha fica relativamente arrumada logo após a refeição, toda a noite parece mais livre. É possível sentar-se imediatamente no sofá, brincar com os filhos ou ver mais um episódio - sem a sensação desagradável de que uma montanha de loiça está prestes a chamar por nós.

E se eu cozinhar no caos - isso quer dizer que sou «pior»?

Quem agora pensa: «A minha cozinha fica como depois de um festival gastronómico» não precisa de se julgar. Os traços de personalidade são variados, e a criatividade, por exemplo, anda muitas vezes acompanhada de um pouco mais de desordem.

Algumas pessoas até precisam de alguma confusão para ganhar ritmo. Pensam de forma mais saltitante, improvisam mais na cozinha, experimentam mais com as receitas - e é precisamente nisso que florescem. Isso não significa que sejam menos bem-sucedidas ou menos estruturadas; simplesmente canalizam a energia de outra forma.

Pode ser interessante testar pequenas experiências:

  • experimentar conscientemente «limpar à medida que se cozinha» uma vez por semana
  • definir pequenas tarefas fixas de limpeza, como: lavar imediatamente as facas
  • pôr um temporizador para arrumar dois minutos antes de servir

Mesmo poucas rotinas deste tipo podem aliviar o stress de forma percetível e mostrar como o próprio pensamento se altera quando há menos caos.

Dicas práticas: como treinar ordem e serenidade sem dar por isso

Quem quiser aproveitar os efeitos positivos não precisa de se tornar perfeccionista. Alguns truques simples bastam para beneficiar da mentalidade de «limpar enquanto se cozinha»:

  • libertar completamente a bancada antes de começar
  • usar uma tigela grande como «estacionamento temporário» para lixo, cascas e embalagens
  • enquanto a água ferve ou algo está no forno, lavar de propósito dois ou três itens
  • regra básica: o que se consegue limpar em 30 segundos faz-se logo
  • no fim da confeção, deixar apenas tachos e pratos - os pequenos objetos já ficaram tratados

Quem procede assim treina, quase sem se aperceber, precisamente as capacidades que os psicólogos associam a sucesso, estabilidade e melhor gestão do stress: estrutura, controlo dos impulsos, pensamento antecipado e tranquilidade emocional. E, como bónus, fica com uma cozinha em que no dia seguinte se volta a começar sem revirar os olhos de irritação.

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