Muitos loendros saem do inverno com ar de derrota: folhas castanhas, rebentos despidos, quase sem sinais de vida.
Ainda assim, com o plano certo, esta estrela mediterrânica pode ser recuperada.
Quem, na primavera, arrasta o vaso da cave para o terraço costuma levar um choque: o loendro, que antes estava cheio de flores, parece um esqueleto, com folhas queimadas e rebentos castanhos. Mesmo assim, o arbusto guarda normalmente mais energia do que se percebe à primeira vista. Com um plano claro, passo a passo, até plantas enfraquecidas podem voltar a formar uma esfera de flores impressionante.
Como saber se o loendro ainda se pode salvar
Antes de pegar na tesoura, é preciso fazer o diagnóstico. O ponto decisivo é perceber se, por baixo da casca aparentemente morta, ainda existe tecido vivo. Só nesse caso vale a pena insistir.
Com a unha ou com uma faca afiada, raspa-se ligeiramente a casca. Se por baixo surgir uma camada verde e húmida, o rebento está vivo. Se tudo continuar castanho e seco, essa parte morreu. Esta verificação deve ser feita em vários pontos: nas pontas, a meio dos rebentos e mesmo junto à base.
“A madeira viva reconhece-se pela camada verde sob a casca - castanho e seco significa que está definitivamente morto.”
A base da planta merece atenção especial. É aí que ficam as gomos mais bem protegidos. Pequenas saliências ligeiramente túrgidas nos rebentos, ou mesmo a sair do tronco, costumam ser o primeiro sinal de que o loendro quer rebentar de novo.
O momento certo para levar o loendro para o exterior
Quem tira a planta demasiado cedo do local de inverno arrisca danos provocados por geadas tardias. O loendro vem da região mediterrânica e, embora suporte por pouco tempo uma geada ligeira, reage de forma muito sensível a temperaturas negativas repetidas.
Como regra geral, só deve ir para o exterior quando já não houver previsão de geadas noturnas e as temperaturas durante a noite se mantiverem de forma estável acima de cerca de 10 graus. Dependendo da região, isso pode acontecer entre o final de março e meados de abril.
A transição deve ser lenta:
- primeiro, apenas algumas horas por dia em meia-sombra
- ao fim de alguns dias, aumentar o tempo passado no exterior
- só depois colocá-lo permanentemente em sol pleno
Se o loendro estiver plantado no canteiro, o velo de inverno e outras coberturas também devem ser retirados por fases, enquanto se acompanha de perto a previsão meteorológica.
Cortes direcionados para estimular um rebento forte
Assim que o risco de geada desaparece e já se sabe quais os rebentos vivos, chega a altura da poda. Ela determina a forma, a saúde e a vontade de florir do arbusto ao longo de toda a estação.
Primeiro, saem todos os ramos totalmente castanhos, rachados e secos. Cortam-se até à madeira saudável e verde. Também devem ser removidos os rebentos que se cruzam entre si ou que crescem para o interior, para que a luz e o ar cheguem ao centro da copa.
Nos ramos longos e finos, compensa encurtá-los com força, entre um terço e dois terços. Isso estimula a formação de novos ramos laterais, mais firmes. Em exemplares muito danificados, pode ser útil uma poda radical, deixando cerca de 40 centímetros acima do solo. A planta reconstrói-se então praticamente a partir de baixo, mesmo que a floração nesse ano fique um pouco mais modesta.
“Uma poda corajosa custa a fazer, mas muitas vezes dá ao loendro exatamente o impulso de que precisa para recomeçar com força.”
Replantar, fortalecer as raízes e fornecer nutrientes
As plantas em vaso sofrem muitas vezes, depois do inverno, com falta de espaço. Um olhar para a parte de baixo mostra depressa a situação: raízes a sair pelos orifícios de drenagem indicam necessidade urgente de intervenção.
Quando é necessário um novo vaso
- as raízes contornam todo o torrão como uma rede
- o torrão já quase não se consegue comprimir
- a água atravessa o vaso de imediato, sem infiltrar no substrato
Neste caso, só ajuda um vaso ligeiramente maior. O novo recipiente deve ter um bom orifício de drenagem, idealmente com uma camada de argila expandida ou gravilha como drenagem. Quanto ao substrato, resulta bem uma mistura de terra para vasos para plantas de flor, um pouco de areia grossa e uma parte de composto bem maturado. Assim, a terra fica solta, não acumula água e, ao mesmo tempo, fornece nutrientes suficientes.
Se não for possível usar um recipiente maior por falta de espaço ou por causa do peso, pode retirar-se a camada superficial da terra e substituí-la por substrato fresco e rico em nutrientes. Ao mesmo tempo, inicia-se a fase de fertilização.
O adubo certo para flores abundantes
Para florir em abundância, o loendro precisa de muito potássio. Um adubo líquido para plantas de flor, com teor de potássio claramente destacado, é o mais indicado. Entre março e setembro, geralmente basta uma aplicação a cada uma ou duas semanas na água da rega.
“Nunca aplique adubo concentrado em terra completamente seca - isso danifica as raízes e enfraquece ainda mais a planta já stressada.”
Rega, localização e erros típicos - para a floração não falhar
A água é um ponto delicado: pouca água trava o crescimento, água a mais provoca apodrecimento das raízes. Depois do inverno, a planta precisa de humidade regular, mas não tolera encharcamento.
Num vaso, a regra é simples: só regar quando a camada superior da terra estiver seca. Depois, rega-se devagar e diretamente na zona das raízes, até a água aparecer no pires. A água acumulada no pires deve ser despejada ao fim de alguns minutos. No canteiro, em semanas quentes de verão, normalmente chegam duas regas profundas por semana.
Para uma floração impressionante, o loendro precisa de muita luz. Várias horas de sol direto por dia são indispensáveis. Um local especialmente favorável é junto de uma parede quente virada a sul ou sudoeste, que ainda por cima armazena calor e protege do vento.
Erros frequentes que impedem a floração
- colocar a planta no exterior demasiado cedo e provocar danos por geada em abril
- passagem brusca de um abrigo de inverno escuro para o sol forte do meio-dia
- humidade constante no pires e na zona das raízes
- regas por medo: pequenas quantidades, mas muito frequentes
- doses fortes de adubo sobre um torrão seco
Quem evita estas armadilhas consegue transformar, muitas vezes em poucas semanas, um arbusto cansado num exemplar vigoroso e densamente folhado, pronto a florir.
O que torna o loendro forte e resistente a longo prazo
Além do programa de primavera, também compensa olhar para os cuidados de longo prazo. Um arbusto bem aclimatado suporta o inverno muito melhor, mesmo em regiões relativamente frescas.
A partir do fim do verão, a planta não deve ser adubada de forma demasiado intensa, para que os rebentos amadureçam a tempo e se tornem lenhosos. Madeira nova, macia e em crescimento recente congela muito mais depressa. No outono, ajuda mantê-lo ligeiramente mais seco - não o deixar secar, mas também deixar de lado as regas excessivas.
Quem jardina em zonas mais agrestes deve escolher um local abrigado, por exemplo junto a uma parede da casa, e combiná-lo com proteção de inverno bem isolante, feita de velo e folhas. As plantas em vaso devem ser colocadas o mais perto possível de uma parede protegida, de preferência sobre tábuas de madeira ou placas de esferovite, para que as raízes não fiquem diretamente sobre o chão gelado.
Toxicidade, segurança e plantas companheiras adequadas
Um aspeto que muitas vezes se esquece no entusiasmo pelas flores: o loendro é tóxico em todas as partes da planta. Crianças e animais de companhia não devem ter acesso às folhas ou aos ramos, e podar sem luvas também não é boa ideia. Quem for mais sensível pode até sofrer irritação na pele ao contacto com a seiva.
Em vasos, a planta combina bem com outras espécies que gostam de sol, como a alfazema, que também prefere condições secas e quentes, ou com vivazes baixas de jardim de rocha em primeiro plano. Estas plantas ajudam a manter a zona das raízes um pouco mais fresca e tornam o conjunto visualmente mais interessante, sem roubar luz ao loendro.
Quem tiver em conta as necessidades deste arbusto mediterrânico - muito sol, solo permeável, água bem doseada e adubo moderado com destaque para o potássio - consegue muitas vezes transformar novamente, mesmo um exemplar danificado pelo inverno, num ponto de destaque forte e florido para o terraço ou para o jardim.
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