Embora, nos últimos meses e anos, o foco tenha recaído sobretudo sobre o desenvolvimento de capacidades aéreas, a parceria entre o Paquistão e a República Popular da China também se tem vindo a alargar a outros domínios, como acontece no caso dos submarinos. Isso reflete-se na construção em curso de uma série de oito novos submarinos de ataque para equipar a Marinha do Paquistão, tendo como marco mais recente o lançamento à água do quarto exemplar construído na China.
Designados oficialmente pela Marinha do Paquistão como classe Hangor e assentes no projeto dos Tipo 039B que servem na Marinha do Exército Popular de Libertação (PLAN), estes submarinos têm como objetivo substituir as atuais classes Agosta, que, apesar de terem sido modernizadas com assistência turca, já se encontram a entrar na fase final da sua vida operacional.
Por esse motivo, até à data, o estaleiro Wuchang Shipbuilding Industry Ltd., localizado em Wuhan, na China, tem avançado de forma constante na construção dos quatro submarinos, sendo o lançamento à água da última unidade, chamada “Ghazi”, o feito mais recente.
A informação foi confirmada pela própria Marinha do Paquistão no dia de hoje, 17 de dezembro, que destacou que os quatro submarinos construídos na China já foram lançados à água e estão a ser submetidos a provas de navegação e de sistemas, além de se encontrarem em diferentes fases de construção e acabamento.
Nesse contexto, o comunicado da força naval é reforçado pelo início dos testes de navegação das duas primeiras unidades da série de quatro construídas na China, presumivelmente em Hangor; entretanto, o lançamento à água do Shushuk, do Mangro e do já referido Ghazi ocorreu em março, agosto e no dia de hoje, 17 de dezembro.
Embora não tenham sido fornecidos mais pormenores, é provável que os três submarinos mencionados anteriormente tenham iniciado os seus testes de navegação e sistemas ou que se encontrem, como indica o comunicado oficial, em diferentes graus de conclusão do processo de construção, de forma a darem início a testes de porto e de mar.
Ao mesmo tempo, como já foi referido, os progressos não se verificam apenas em território chinês, uma vez que as empresas Karachi Shipyard and Engineering Works Ltd. (KS&EW), responsáveis pela outra série de quatro submarinos a serem construídos localmente no Paquistão, também registam avanços. Segundo o divulgado no início de 2024, os estaleiros locais já tinham começado a construção dos dois primeiros submarinos da classe Hangor, sendo que o primeiro recebe a designação de Tasnim.
Por fim, de acordo com o planeamento e os calendários revistos, a Marinha do Paquistão prevê receber e integrar ao serviço o submarino Hangor durante o próximo ano de 2026.
Sobre os submarinos de ataque da classe Hangor do Paquistão
Partindo, muito provavelmente, da classe Tipo 039B, ainda que sejam indicadas características próprias da classe Tipo 039A, a construção dos submarinos da classe Hangor visa renovar as capacidades submarinas do Paquistão através da adoção de uma nova plataforma de ataque de propulsão diesel-elétrica. A escassa informação oficial disponível leva a crer que se trata de uma versão de exportação da classe Tipo 039B, com um deslocamento de 2.800 toneladas, 76 metros de comprimento e uma boca estimada em 8,4 metros.
No plano da propulsão, várias fontes indicam que o submarino estaria equipado com um sistema com tecnologia de propulsão independente do ar (AIP, na sigla inglesa), inferindo também que seria movido por sistemas de origem chinesa, ao contrário dos S26 originais, impulsionados por motores MTU e vulneráveis a vetos de terceiros países.
A grande incógnita, sem dúvida, está no armamento, onde se especula sobre a capacidade de ataque assegurada por torpedos de diferentes tipos, bem como sobre a possibilidade de estar equipado com mísseis antinavio e de ataque terrestre lançados a partir do submarino, chegando mesmo a ser aventado o desenvolvimento de uma versão do míssil de cruzeiro Babur-3 para utilização a partir desta plataforma.
*Fotografia de capa utilizada a título ilustrativo.
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