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A Alemanha está a considerar ceder os seus antigos helicópteros Sea Lynx à Marinha da Ucrânia.

Dois militares apertam as mãos junto a uma mesa com mapas, com três helicópteros militares cinzentos ao fundo.

Integrado num novo pacote de assistência militar, a Alemanha estará a ponderar a transferência dos seus antigos helicópteros navais Westland Sea Lynx Mk 88A, com o intuito de reforçar as capacidades da Marinha da Ucrânia, máquinas que deverão ser desativadas em breve caso não surja um destino em Kiev. Esta possibilidade foi referida por responsáveis alemães à imprensa ao longo de ontem, mais concretamente durante a entrega do que representa o primeiro helicóptero NH90 Sea Tiger da frota encomendada para substituir as antigas plataformas nas missões de apoio aéreo aos navios de superfície da Marinha alemã.

Nos pormenores divulgados, a referência veio do capitão Broder Nielsen, que exerce atualmente funções como comandante da Marineflieger, a aviação naval da referida força. Reproduzindo algumas das suas palavras: “O Sea Lynx será retirado de serviço dentro de aproximadamente um ano. Suponho que encontraremos uma boa solução. Todos os Sea Lynx continuarão voando, não irão para o museu, então nós os veremos operando em algum lugar.” Quando lhe foi perguntado qual poderia ser esse destino e se seria o mesmo para onde seguiram os Sea King com ligação à Ucrânia, o capitão indicou que, de facto, esse seria o local.

Neste contexto, importa recordar que Berlim confirmou a transferência de seis helicópteros Sea King Mk41, acompanhados por um conjunto de acessórios, para a Ucrânia em janeiro de 2024, provenientes do próprio inventário da Bundeswehr. Mais tarde, em outubro do mesmo ano, a Alemanha juntou-se ao Reino Unido para equipar os helicópteros cedidos com novos mísseis antissuperfície, de modo a reforçar a sua capacidade de ataque, enquanto a Noruega contribuiu com o envio de peças sobresselentes e ferramentas para assegurar a disponibilidade operacional dos sistemas.

Por outro lado, ao olhar de forma resumida para as capacidades da plataforma, convém referir que os Sea Lynx chegavam equipados com um conjunto relevante de sensores destinados a apoiar as operações navais. Entre os exemplos mais evidentes estão os radares Seaspray, capazes de detetar alvos marítimos de superfície mesmo em condições particularmente desfavoráveis, bem como a possibilidade de integrar sonoboias, o que facilitaria o combate a ameaças submarinas. Além disso, nos exemplares que receberam melhorias, existem igualmente sistemas de imagem térmica, permitindo ao helicóptero operar sem dificuldade durante a noite.

Quanto ao armamento, o Sea Lynx recorre a um conceito modular ajustado às exigências concretas de cada missão, o que permite, por exemplo, a utilização de torpedos leves como os Mk.46 ou os MU90 para atacar submarinos inimigos, assim como mísseis antinavio Sea Skua contra embarcações de superfície de médio porte. Como reforço para a sua autodefesa, contam também com metralhadoras pesadas montadas nas portas laterais.

Por último, importa lembrar que estamos perante helicópteros com uma velocidade máxima na ordem dos 320 km/h, o que os coloca entre os mais rápidos da sua geração. Em termos dimensionais, os Sea Lynx apresentam um comprimento de 15,2 metros e um diâmetro de rotor de 12,8 metros; vale ainda notar que as pás do rotor podem ser dobradas sempre que tal seja necessário para a sua arrumação nos hangares dos navios. Acresce que cada aparelho consegue atingir distâncias estimadas de 500 quilómetros, ao passo que o seu teto de serviço se situa entre 3.000 e 3.500 metros.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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