Bremen - Depois do fim da Guerra Fria, as sirenes passaram a ser vistas como dispensáveis. A ideia de um alerta à população verdadeiramente abrangente deixou de parecer necessária, já que o Bloco de Leste deixou de ser encarado como ameaça. Ainda assim, algumas autarquias optaram por ficar com as sirenes que pertenciam ao Estado. Cerca de metade, porém, acabou por ser desmontada. Entretanto, a visão mudou - e as sirenes estão a regressar de forma muito evidente.
A pergunta impõe-se: porque é que esta tecnologia de aviso, tantas vezes rotulada de “ultrapassada”, voltou a ganhar protagonismo? A resposta é simples: não há outro sistema capaz de avisar as pessoas com a mesma rapidez, alcance e cobertura territorial que as sirenes. Para Florian Mikschy, membro da associação Amigos das Sirenes, “as aplicações de aviso testadas como alternativa pelo Estado e pelas regiões não substituem de forma adequada” as sirenes.
Aplicações de alerta descarregadas entre 1 e 5 milhões de vezes
Uma consulta às estatísticas mostra que as várias aplicações de aviso foram descarregadas, em cada caso, entre um e cinco milhões de vezes. São números impressionantes, sem dúvida. No entanto, num país com mais de 80 milhões de habitantes, isso está longe de significar uma presença verdadeiramente generalizada. E é provável que, por esta via, os cidadãos mais idosos não sejam alcançados - muitos simplesmente não têm smartphone.
Há ainda mais dois pontos a considerar. Em primeiro lugar, os telemóveis não estão permanentemente com as pessoas: há quem os desligue durante a noite, e há situações em que a bateria está descarregada. Em segundo lugar, continuam a existir zonas onde o sinal móvel não chega, ou chega com qualidade insuficiente.
As alternativas:
- Aviso à população através do KATWARN - solução versátil
- Sistema modular de aviso - incluindo a aplicação de alerta NINA
Por estas razões, é difícil defender que as aplicações sejam adequadas como único meio de alerta à população. Em contrapartida, fazem sentido como canal para informação complementar (instruções, atualizações e enquadramento). Esta é também uma das mensagens centrais do grupo do Facebook Amigos das Sirenes do Sudoeste do Palatinado, que há anos se mobiliza para manter as sirenes em funcionamento.
Sirenes e alerta à população: um meio sem rival
Perante a situação de ameaça abstrata que se instalou desde setembro de 2001, mas também devido ao aumento de catástrofes naturais e de grandes ocorrências com danos significativos, os responsáveis a nível nacional e regional iniciaram uma mudança de mentalidade. Em muitos locais, concluiu-se que já não existe um meio de aviso que se aproxime do impacto e do efeito de “acordar” das sirenes clássicas.
Por isso, cada vez mais distritos e associações intermunicipais voltam a apostar na sirene - quer como instrumento de aviso aos cidadãos, quer como forma de acionar operacionais dos bombeiros. “Sobretudo nas zonas rurais, as sirenes são praticamente indispensáveis para mobilizar os ativos”, afirma Stefan Zwick, comandante da corporação de bombeiros voluntários de Maßweiler. “No nosso caso, a cobertura rádio não está assegurada em todo o lado. Em alguns vales ou em encostas mais íngremes, os recetores de aviso não disparam de forma fiável.”
Zwick aponta ainda outro aspeto: a audibilidade dos recetores. “Assim que se usam corta-relvas, aparadores de sebes, sopradores de folhas, lavadoras de alta pressão ou outras máquinas e equipamentos ruidosos, o alarme do recetor perde-se no protetor auricular ou no ruído ambiente”, explica. E acrescenta que o modo de vibração, muitas vezes, nem sequer é sentido por baixo da roupa de trabalho.
Um fator adicional, muitas vezes subestimado, é a rotina de testes regulares às sirenes e a literacia pública: quando a população reconhece os sinais e sabe como agir, o tempo de resposta melhora. Isto implica também comunicação clara - por exemplo, divulgar com antecedência os testes e reforçar, em linguagem simples, o significado de cada toque.
Ao mesmo tempo, a estratégia mais robusta tende a ser a combinação de canais: sirenes para alcance imediato e generalizado; aplicações e outros meios digitais para instruções detalhadas; e rádios locais ou mensagens oficiais para atualização contínua. Um sistema híbrido reduz a dependência de um único canal - especialmente em falhas de energia, congestionamento de rede ou limitações de cobertura.
Alarmes sonoros valorizam os bombeiros na comunidade
Segundo Zwick, a experiência no terreno mostra um efeito prático: “Quando a sirene chama para o serviço, aparece, por vezes, alguém que num alarme silencioso talvez não tivesse vindo.” Além disso, o alerta sonoro dos bombeiros em áreas rurais é, na maioria dos casos, bem recebido pela população e acaba por reforçar a imagem da instituição. “A população pode perfeitamente perceber que temos ocorrências com regularidade”, acrescenta.
Em meados de maio, foi colocada no site www.feuerwehrmagazin.de a pergunta: “Como são alertados para as ocorrências?”. Participaram 4.114 utilizadores no inquérito, sendo possível selecionar até três formas de alerta. O resultado surpreendeu: o recetor digital recebeu 2.655 votos. Seguiram-se a sirene, com 2.158 votos, e o recetor analógico, com 1.292. Nos lugares seguintes ficaram: SMS (1.085), aplicação de alerta (1.019), gongo de alarme (300), telefone (204) e e-mail (50).
Mais informações e numerosos detalhes técnicos sobre o regresso das sirenes podem ser encontrados na edição de agosto de 2018 da revista especializada em bombeiros.
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