O novo Koenigsegg CCGT1 está aqui, e tentar perceber as mensagens contraditórias poderá fritar-lhe o cérebro mais depressa do que tentar descobrir exactamente como funciona a caixa manual de nove velocidades de CvK.
É um carro de estrada, com dez vezes a potência dos carros de estrada comuns. Foi concebido sobretudo para ser utilizado em circuito. Celebra um carro de competição. Que nunca competiu.
Ainda assim, podemos deixar tudo isso de lado por um instante, porque… é um novo Koenigsegg! Com uma asa gigantesca! Estes carros não aparecem com frequência e, quando surgem, trazem consigo objectivo, história e um V8 biturbo capaz de cuspir fogo.
Koenigsegg CCGT1: a homenagem ao CCGT original
Este não é excepção. Os aficionados mais atentos da Koenigsegg - e sabemos que são muitos - não terão esquecido a história do CCGT original. Desenvolvido em 2007 para a categoria GT1, prometia ser rápido, poderoso e imparável… até a FIA alterar os regulamentos e o ‘Segg ser posto de parte antes de dar uma única volta em competição.
Por isso, este novo modelo retoma o testemunho, começando por adoptar um visual bastante semelhante ao do antecessor. Assenta no CC850 - o presente de CvK para si próprio - e, como tal, recebe um V8 biturbo de 5,0 litros, alimentado por gasolina e por uma enorme tomada de ar no tejadilho. Debita 1.263 cv com combustível normal e uns impressionantes 1.578 cv com biocombustível E85.
Caixa Koenigsegg Sequential Shift e aerodinâmica GT1
Enquanto o CC850 recebeu aquela brilhante e estonteantemente complexa caixa ‘manual’ de nove velocidades - a ‘Light Speed Transmission’ -, o CCGT1 acrescenta mais tecnologia brilhante e igualmente complexa através de uma nova ‘interface de mudanças’ denominada ‘Koenigsegg Sequential Shift’ (KSS).
Segundo a informação que recebemos, inclui um verdadeiro pedal de embraiagem para o arranque e cortes de ignição para efectuar passagens de caixa sem embraiagem, “tal como no CCGT original”. Na prática, é um selector sequencial ao estilo de um carro de competição. Com um enorme selector sequencial digno de um carro de competição.
Naturalmente, pode escolher a caixa manual convencional ESS de seis velocidades, com grelha, do CC850, caso a experiência GT1 a fundo não seja para si. Por outro lado, todo o carro é uma experiência GT1 levada ao extremo. A carroçaria é inteiramente feita em carbono e representa um afastamento total do CC850 que lhe serve de base.
O elemento mais evidente é, talvez, a enorme asa traseira, a referência visual mais clara ao CCGT. Dispõe de 30 graus de regulação e trabalha em conjunto com o enorme divisor dianteiro, a aerodinâmica activa da parte inferior e o fundo esculpido para gerar 800 kg de apoio aerodinâmico a 249 km/h.
Habitáculo de competição e pacote de pista oficial
No interior, a sensação é agradavelmente despojada e muito… inspirada num caça. Há um interruptor para preparar as bombas de combustível, um comando de ignição protegido por uma tampa e um botão de arranque vermelho. À frente do condutor encontra-se o painel ‘Chronocluster’ de terceira geração da Koenigsegg, um medidor de forças G analógico alimentado exclusivamente por medo e lágrimas humanas, aquela enorme alavanca de mudanças, bancos ultraleves em fibra de carbono com cintos de seis pontos e um extintor. Também existe um ecrã táctil, mas… não.
Como referido no início, está homologado para estrada, mas, pela primeira vez, pode especificar um pacote de pista oficial da Koenigsegg. Inclui uma gaiola de segurança em carbono, bancos compatíveis com HANS, volante de competição, escape de competição, macacos pneumáticos, suspensão mais firme, melhor aerodinâmica, melhores pneus… já percebeu a ideia. Aliás, recebe mais do que a ideia: recebe também um dia de pista dedicado, com assistência completa da fábrica.
A rematar tudo, literalmente, está algo a que a Koenigsegg chama ‘Ghost Fibre’: um acabamento em fibra branca, visto pela primeira vez no Trevita de 2009, que alegadamente acrescenta protecção ‘balística’ (quão intensos serão estes dias de pista?), isolamento acústico e leveza.
“Este é algo verdadeiramente especial - a nossa primeira criação deliberadamente concebida para ser um bisturi de circuito optimizado para pista, mas também um extraordinário automóvel para utilização diária”, afirmou Christian von Koenigsegg. “Tem sido extremamente gratificante ver o CCGT original voltar à vida ao longo dos últimos anos. Esta parece ser uma forma apropriada de o celebrar.
“Estou muito entusiasmado por conduzi-lo e explorar todas as suas capacidades, e mal posso esperar que a restante família Koenigsegg faça o mesmo. Apresentar também pela primeira vez a nossa recém-desenvolvida Ghost Fibre é realmente entusiasmante e prolonga a história do projecto Trevita, lançado na mesma era do CCGT.”
Serão construídos apenas 70 exemplares… e todos já têm destino. Sim, faz sentido.
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