Um truque simples é suficiente.
Muitos proprietários de jardins conhecem bem o cenário: mal a neve desaparece, a relva mostra logo a sua verdadeira face. Manchas amarelas, falhas nuas, espaços teimosos. Em vez de comprarem todos os anos sementes de relva caras, cada vez mais jardineiros amadores recorrem a outra planta, que se mistura discretamente entre as folhas de erva - e fecha quase sozinha as zonas despidas.
Porque é que a relva fica cheia de falhas depois do inverno
Geada, encharcamento, urina de cão, doenças fúngicas, festas animadas das crianças - a relva aguenta muita coisa. Sobretudo depois do inverno ou de verões extremamente quentes, ficam:
- zonas amarelas e queimadas
- círculos completamente nus na relva
- áreas emaranhadas, onde quase nada volta a crescer
Quem se limita a voltar a semear uma mistura de relva convencional muitas vezes resolve o problema apenas por pouco tempo. As gramíneas jovens são sensíveis, precisam de muita água e têm raízes superficiais. Se no verão a chuva falha, as folhas novas desaparecem depressa outra vez.
Uma variante discreta de trevo pode preencher as zonas despidas, poupar água e tornar a relva muito mais resistente.
Microtrevo: a dica secreta para acabar com falhas no verde
A solução não vem da prateleira brilhante do centro de jardinagem com relvas perfeitas, mas sim da família das leguminosas: as chamadas variedades de microtrevo, muitas vezes vendidas como microtrevo ou microtrevo-branco. Do ponto de vista botânico, tratam-se de formas de folha muito pequena do trevo-branco.
Ao contrário do trevo clássico, com folhas grandes, que depressa parece uma erva daninha, o microtrevo mantém-se extremamente baixo. A planta costuma crescer apenas entre 3 e 8 centímetros, integra-se visualmente na relva e espalha-se como um tapete denso pelas falhas.
O que torna o microtrevo tão interessante
- extremamente resistente: suporta pisadas, pés de crianças e animais de estimação
- fácil de cuidar: depois de bem enraizado, precisa de pouca água
- melhora o solo: fixa azoto do ar e torna-o disponível para outras plantas
- crescimento baixo: encaixa visualmente na relva, sem disparar em altura
- enche rapidamente os espaços vazios: espalha-se na horizontal e fecha as falhas
Muitos jardineiros amadores repararam ao fim de um ano: as zonas que antes tinham de ser ressemeadas a cada primavera ficam, com microtrevo, permanentemente fechadas e verdes.
Como preparar as zonas despidas para a sementeira
Antes de pegar na semente, o solo precisa de alguma atenção. É precisamente aqui que muitos projetos de relva falham, apesar de o método ser, na verdade, simples.
- Remover o material antigo: raspe bem as ervas secas, o musgo e as ervas daninhas, ou retire-os com um ancinho.
- Soltar o solo: areje ligeiramente a camada superior com um ancinho. Assim, as sementes ganham contacto com a terra e com a água.
- Alisar as irregularidades: preencha os buracos maiores com um pouco de terra de jardim e nivele com o ancinho.
- Desfazer zonas compactadas: solte com cuidado as áreas pisadas com um garfo de escavar, para que a água e o ar consigam penetrar melhor.
Quem dedicar apenas alguns minutos à preparação terá, mais tarde, muito menos problemas com falhas e manchas pobres.
Semeia microtrevo da forma certa: passo a passo
A sementeira resulta melhor na primavera, assim que o solo deixa de estar congelado e aquece razoavelmente durante o dia. Também funciona bem no início do outono, desde que ainda restem algumas semanas amenas.
Como proceder na sementeira
- Misturar as sementes: as sementes de microtrevo são muito finas. Misture-as com um pouco de terra peneirada ou com sementes de relva secas, para as distribuir de forma homogénea.
- Espalhar: distribua a mistura de maneira solta sobre as zonas despidas. Basta uma cobertura densa, mas sem exagero.
- Pressionar: comprima suavemente a área com os pés ou com um rolo de relva. As sementes devem ficar em contacto com o solo, mas não enterradas em profundidade.
- Regar: mantenha a humidade regular nas primeiras semanas, sem criar poças. É preferível regar mais vezes e por pouco tempo do que raramente e em excesso.
Com condições favoráveis, os primeiros folhinhos surgem ao fim de dez a catorze dias. Dependendo do tempo, a área fecha-se de forma visível ao longo de poucas semanas.
Como o microtrevo altera o trabalho de manutenção no jardim
Quem aposta apenas numa relva ornamental pura tem de adubar, regar e ressemear com regularidade. O microtrevo retira-lhe parte desse trabalho.
| Aspeto | Relva pura | Relva com microtrevo |
|---|---|---|
| Adubação | necessária várias vezes por estação | muito menos necessária, por vezes dispensável |
| Rega | sensível à seca | maior proteção contra a secagem |
| Zonas despidas | reaparecem repetidamente | são fechadas rapidamente pelo microtrevo |
| Resistência ao uso | áreas sensíveis ao pisoteio | mais estável mesmo com utilização intensa |
A razão está na biologia: o microtrevo vive em simbiose com bactérias nodulares nas raízes. Essas bactérias conseguem fixar azoto do ar. Parte desse azoto chega ao solo e fica também disponível para a relva. Assim, o trevo funciona como um adubo natural integrado.
Quando o microtrevo não é a melhor opção
Apesar de todas as vantagens, o microtrevo não se adapta a todos os estilos de jardim. Quem pretenda, por exemplo, uma relva de golfe rigorosamente cuidada ou uma superfície ornamental com aspeto quase uniforme pode incomodar-se com os pequenos tufos de trevo, de tom ligeiramente diferente.
Também em locais muito sombrios, sob coníferas densas ou em zonas extremamente húmidas, o microtrevo cresce apenas com relutância. Nesses casos, é mais apropriada uma mistura de relva para sombra adaptada e uma drenagem melhor.
Atenção em caso de alergias e animais de estimação
As pessoas com alergia forte ao trevo ou às leguminosas devem falar com o médico antes de fazer uma sementeira em grande escala. Para a maioria dos animais de estimação, o microtrevo não coloca problemas. Os cães tendem mais a pisá-lo do que a comê-lo. No caso de coelhos ou porquinhos-da-índia em liberdade, convém alguma prudência, porque toleram apenas de forma limitada o trevo em grandes quantidades.
Exemplos práticos: onde o microtrevo faz mais sentido
Muitos jardineiros testam primeiro o microtrevo em pequenas áreas. Frequentemente, ele resulta bem em zonas problemáticas típicas:
- caminhos de passagem entre o terraço e a casa de jardim
- áreas de brincadeira com baloiço ou trampolim
- zonas junto à entrada da garagem, onde se sai e entra muitas vezes
- espaços com ligeira inclinação, que secam depressa
Quem tiver boas experiências nestes locais pode, na próxima renovação da relva, misturar desde o início uma pequena quantidade de sementes de microtrevo na mistura de relva habitual. Assim nasce uma relva de uso resistente, com aspeto de relva, mas que exige muito menos manutenção.
Mais sugestões para uma relva resistente
O microtrevo resolve muitos problemas, mas não substitui cuidados básicos sensatos. Quem quiser manter a relva estável a longo prazo deve adotar alguns hábitos simples:
- não regar todos os dias por pouco tempo, mas sim uma a duas vezes por semana e de forma profunda
- não cortar demasiado baixo; 4 a 5 centímetros de altura de corte são o ideal
- retirar regularmente as folhas caídas no outono, para que nada apodreça sob uma camada húmida
- em caso de forte compactação, arejar ou aplicar areia de alguns em alguns anos
Com microtrevo na relva, muitas áreas problemáticas deixam de ser obras intermináveis e tornam-se zonas verdes estáveis. Quem agir agora na primavera dá tempo suficiente às plantas para criarem raízes profundas até ao verão e evita que os temidos manchas castanhas apareçam sequer.
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