Muitas pessoas, nas noites frias, limitam-se a mexer no termóstato e espantam-se por continuar a sentir frio na nuca ou nos pés. No entanto, muitas vezes a solução está mesmo na estrutura da janela - sem custos, sem necessidade de um técnico e resolvida em poucos minutos. Basta saber onde tocar.
Porque é que as janelas fechadas continuam a deixar passar ar gelado
As janelas trabalham - e isso torna-as menos estanques
Uma janela instalada parece uma barreira sólida contra o frio e o vento. Na prática, porém, o material está em permanente mudança. O plástico, o alumínio ou a madeira dilatam com o calor e contraem quando a temperatura desce. Nos meses de inverno, sobretudo, as variações entre o dia e a noite são grandes, e o caixilho acompanha esse movimento.
Com o tempo, isso cria uma pequena folga entre a folha móvel e o aro fixo. Essa abertura é muitas vezes quase invisível, mas chega para que a vedação deixe de ser comprimida como deve ser. O borrachão fica apenas encostado, em vez de ser pressionado corretamente.
Já bastam alguns décimos de milímetro para que o ar frio do exterior entre na divisão como se viesse por uma fenda invisível.
Do ponto de vista energético, é como se a porta ficasse entreaberta o dia inteiro. O aquecimento trabalha contra essa perda, gasta mais energia e, ainda assim, o espaço nunca parece verdadeiramente quente e acolhedor.
Porque é que as fitas de silicone e de espuma costumam piorar a situação
Muitas pessoas, por desespero, recorrem a vedações adesivas, tiras de espuma ou até silicone. A curto prazo, pode parecer uma solução prática - a longo prazo, prejudica a janela. As vedações extra aumentam o atrito, as bandas e as ferragens têm de fazer mais força e podem acabar por se deformar.
Na maior parte dos casos, o problema nem sequer está numa vedação estragada, mas sim numa pressão de encosto insuficiente. A vedação ainda está em bom estado; simplesmente já não é comprimida com força suficiente. É aqui que entra o mecanismo de regulação escondido, que muitas pessoas nunca repararam existir.
A técnica escondida: o que está por trás dos pequenos pinos metálicos
Onde se encontra o mecanismo decisivo
Quem quiser usar este truque deve começar por abrir a janela completamente. Na face vertical da folha existe uma barra metálica - a ferragem que se move quando se roda o manípulo. Ao longo dessa barra encontram-se vários pinos metálicos pequenos, redondos ou ligeiramente ovais, que encaixam no aro quando a janela é fechada. São os pontos de fecho.
Em muitas janelas oscilobatentes modernas, estes pinos parecem pequenas cabeças de cogumelo. Não servem apenas para aumentar a segurança contra intrusão. Também controlam o quanto a folha é puxada contra o aro - e, por isso, o grau de compressão da vedação em borracha.
Estes discretos pinos metálicos são o coração da estanqueidade ao ar: com uma pequena rotação, alteram a pressão de encosto de toda a janela.
Consoante o tamanho da janela, costumam existir três a quatro destes pinos em forma de cogumelo distribuídos pela altura; nas portas de varanda ou de terraço, há normalmente mais.
Princípio do excêntrico: um milímetro que faz a diferença
Ao observar de perto um destes pinos, percebe-se que ele não é totalmente redondo nem está exatamente centrado. O pino está montado de forma excêntrica. Quando é rodado, a distância entre o seu ponto mais saliente e o aro altera-se.
Os fabricantes costumam marcar estes pinos com um pequeno ponto, uma ranhura ou uma forma oval. Essa marca indica em que direção se obtém a maior pressão. Quando a marca está numa posição neutra, a pressão de encosto é média. Quando aponta para o interior da casa, a ferragem puxa a folha com mais força contra a vedação.
É precisamente aqui que se deve intervir quando, no inverno, o ar entra pela janela fechada.
Passo a passo: como colocar a sua janela no “modo de inverno”
Que ferramentas são realmente necessárias
Para este ajuste, basta um conjunto básico que a maioria das casas já tem:
- chave Allen, muitas vezes de 4 mm
- pano macio para limpar as ferragens
- uma folha de papel de impressora para testar a vedação
Muitos pinos em forma de cogumelo têm, no centro, uma cavidade hexagonal para a chave Allen. Em alguns sistemas, encaixa uma ponta Torx ou uma chave de fendas; raramente é preciso um alicate pequeno para rodar o pino com cuidado.
Como rodar o pino para a posição correta
Comece por limpar a ferragem com o pano, retirando pó e sujidade. Depois, introduza a chave Allen adequada na abertura do pino em forma de cogumelo. A regra base é simples: a marca do pino deve ficar virada para a vedação, ou seja, para a borracha do lado interior.
Normalmente, basta uma volta de um quarto, no máximo meia volta:
- localizar a marca e memorizar a posição atual;
- rodar cuidadosamente o pino até que a marca fique mais próxima do interior;
- repetir o procedimento em todos os pinos em forma de cogumelo ao longo da folha.
Desta forma, ao fechar, a ferragem puxa a folha com mais firmeza contra o aro. Muitos fabricantes chamam a isto a posição de inverno. No verão, a pressão pode ser reduzida facilmente outra vez, para que a vedação não fique comprimida de forma excessiva durante muito tempo.
Quem alterna entre a posição de inverno e a de verão protege as vedações e poupa, a longo prazo, nos custos de aquecimento.
Verificação no dia a dia: como perceber se o ajuste ficou certo
O teste simples do papel, como fazem os instaladores
Depois da afinação, vem a verificação. Especialistas usam um teste muito simples: uma folha de papel. Coloque o papel entre o aro e a folha e feche a janela. Depois puxe a folha com cuidado.
Se sair facilmente, a pressão de encosto continua demasiado baixa. Se sentir resistência clara ou se o papel até rasgar, a afinação está correta. Este teste pode ser repetido em vários pontos da janela, por exemplo em cima, ao meio e em baixo.
Também se nota uma diferença ao fechar a janela: se agora for preciso fazer um pouco mais de força no manípulo, isso indica maior pressão e, portanto, uma vedação mais eficaz.
O que muda logo no ambiente da divisão
Quando a pressão de encosto está bem ajustada, os sintomas típicos desaparecem rapidamente. Deixa de haver aquela corrente fria na nuca, o zumbido e o assobio do vento reduzem-se bastante e, muitas vezes, o isolamento acústico exterior também melhora.
O radiador passa a ter de compensar com muito menos frequência, e a temperatura da divisão mantém-se mais estável. Em especial em prédios antigos com janelas novas, a diferença nota-se depressa: o sofá junto à janela volta a ser um sítio confortável, em vez de um canto com corrente de ar.
Porque é que esta pequena intervenção compensa depressa em termos financeiros
Poupar energia sem gastar um cêntimo
Cada folga na janela consome energia de aquecimento. Quanto mais frio estiver no exterior e quanto mais forte for o vento, mais ar quente da casa é perdido sem se dar por isso, sendo substituído por ar frio. O aquecimento tenta compensar essa perda e o contador avança mais depressa.
Ao conseguir fechar melhor as janelas, reduzem-se estas perdas descontroladas. Alguns pontos percentuais de consumo a menos por época de aquecimento são realistas; em casas mal reguladas, a redução pode ser ainda maior. Em tempos de preços elevados da energia, isso sente-se rapidamente na fatura.
Além disso, as ferragens bem ajustadas aliviam o esforço das vedações. Ficam comprimidas, sim, mas de forma uniforme. Isso prolonga a sua vida útil e evita fissuras ou deformações que, de outra forma, acabariam por exigir substituição.
Complementos úteis: quando vale a pena avançar para outras medidas
Quando o ajuste já não é suficiente
Se rodar o pino em forma de cogumelo e quase não notar melhoria, convém observar com mais atenção. Possíveis causas:
- a vedação em borracha está ressequida, gretada ou abatida;
- o aro está deformado, por exemplo após um impacto ou devido a assentamentos do edifício;
- a ferragem está gasta ou danificada.
Nestes casos, uma empresa especializada em janelas pode ajudar. As vedações podem ser substituídas individualmente e as ferragens podem muitas vezes ser reajustadas ou trocadas. Continua a ser mais económico do que substituir a janela por completo.
Outros truques simples contra os cantos frios
Além da afinação das ferragens, algumas rotinas também melhoram o conforto em casa. Cortinas pesadas reduzem a sensação de frio, mas não devem tapar o radiador. Os radiadores devem estar purgados e não podem ficar obstruídos por móveis, para que o ar quente circule.
A ventilação rápida também é importante: é preferível abrir as janelas totalmente três a quatro vezes por dia do que mantê-las sempre em posição de oscilo. As janelas entreabertas arrefecem muito a parte superior da divisão e desgastam as vedações, sem ventilarem de forma realmente eficiente.
Quem ventila regularmente, mantém os radiadores desobstruídos e regula corretamente as janelas ganha conforto sem gastar mais energia.
Para muitas pessoas, o mais surpreendente é mesmo o momento de revelação: rodar um componente que esteve anos esquecido e ver que o canto da sala, antes sujeito a correntes de ar, volta a poder ser usado. Especialmente em casas arrendadas, onde não é possível fazer grandes alterações, este ajuste gratuito é uma ferramenta inesperadamente eficaz.
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