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A China descobriu um ponto fraco nas "baterias do futuro": era vulnerável, onde ninguém esperava.

Cientista a analisar amostra transparente, com esquema molecular num tablet ao lado, num laboratório iluminado.

As baterias de estado sólido são muitas vezes apresentadas como o próximo salto dos veículos elétricos: mais densidade energética, mais segurança e uma vida útil superior. Mas, no 3.º congresso chinês de inovação em acumuladores de estado sólido, em Pequim, investigadores da Universidade de Pequim deixaram um recado inequívoco: o principal entrave não está no eletrólito, mas sim no cátodo.

De acordo com os dados apresentados, é precisamente o cátodo que pesa mais na densidade energética. Sem avanços nos seus materiais, a passagem de protótipos de laboratório para produção em massa continuará difícil. Entre os problemas em aberto estão a estabilidade das interfaces e a compatibilidade entre materiais. Os cátodos com elevado teor de níquel apresentam melhor estabilidade térmica, mas, sob correntes e tensões elevadas, surge polarização local e aumento da resistência, o que acelera a degradação.

Mesmo os métodos de estabilização, como a dopagem com flúor, não eliminam o problema por completo: ao fim de cerca de 125 ciclos, o desgaste acelera, quando os veículos elétricos precisam de milhares de ciclos. As dificuldades aumentam ainda com a estrutura cristalina dos materiais catódicos e com as diferenças de propriedades entre eletrólitos oxídicos, sulfídicos e clorídricos.

As empresas chinesas CATL, BYD e Eve Energy já estão a desenvolver soluções, juntando cátodo e eletrólito num sistema único e protegendo essas abordagens com patentes. Em paralelo, estão a ser estudados novos processos de fabrico para permitir a escala industrial.

Conclusão do encontro: o gargalo continua a ser o cátodo. Do seu avanço dependerá se os novos automóveis de 2026 poderão receber baterias de estado sólido com as características anunciadas e chegar ao mercado em larga escala.

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