Precisamente nesta fase, da primavera ao início do outono, estes animais procuram de forma deliberada recantos quentes e protegidos. E é justamente um utensílio de jardim que muita gente deixa simplesmente pousado que pode transformar-se num abrigo perfeito - com consequências desagradáveis para pessoas e animais.
Porque é que a primavera se torna a época das cobras no jardim
Com a chegada dos primeiros dias consistentemente quentes, termina a letargia invernal das cobras. Na Europa Central, elas acordam de forma aproximada entre meados de março e o fim de maio, embora isso possa acontecer um pouco mais cedo ou mais tarde, consoante a região e o tempo. Nessa altura, precisam acima de tudo de calor.
As cobras são animais de sangue frio. O corpo delas não produz calor próprio, pelo que dependem do ambiente. As temperaturas ideais situam-se, em termos gerais, entre cerca de 25 e 30 graus. Por isso, qualquer pequeno reservatório de calor passa a ser interessante - sobretudo junto ao solo, onde se sentem mais seguras.
Os locais de eleição no jardim costumam ser:
- zonas de transição entre o relvado e a sebe
- áreas estreitas ao longo de muros e socos de muro
- erva alta, taludes e arbustos densos
- cantos húmidos, ligeiramente escuros e com alguma cobertura
Nesta fase de transição, duas coisas acontecem ao mesmo tempo: volta a trabalhar no jardim - e as cobras passam a procurar ativamente locais quentes para descansar.
Em países como a França, os hospitais registam todos os anos bem mais de mil mordeduras, na maioria causadas por víboras. A situação não pode ser transposta ponto por ponto para a Alemanha, mas mostra claramente uma coisa: quando pessoas e cobras partilham o mesmo espaço, aumenta o risco de encontros indesejados.
O risco subestimado: a mangueira de rega como íman para cobras no jardim
O objeto mais problemático é um clássico: a mangueira de rega que, depois de regar, fica simplesmente no chão. Sobretudo quando está enrolada ou em voltas soltas.
Vários fatores tornam-na tão atrativa para as cobras:
- Reserva de calor: o material aquece rapidamente ao sol e liberta o calor lentamente.
- Disfarce: mangueiras verdes ou cinzentas confundem-se visualmente com a relva e a terra - para nós e para os animais.
- Humidade: após a rega, forma-se condensação, o ambiente mantém-se ligeiramente húmido e isso é agradável para muitas espécies.
- Estrutura: quando a mangueira fica em laços, criam-se pequenos espaços ocos e nichos protegidos onde uma cobra se pode enrolar confortavelmente.
Para uma cobra, uma mangueira enrolada parece um aquecedor ao nível do solo com um esconderijo incorporado. É particularmente aliciante ao fim da tarde, quando o material começa a devolver o calor acumulado.
Antes de levantar a mangueira de qualquer maneira: observe sempre todo o comprimento - e também a parte de baixo, se estiver pousada na relva.
Muitas pessoas assustam-se porque, à primeira vista, nem conseguem distinguir a cobra da mangueira: desenho escuro ou verde, corpo alongado, tudo perto do chão - a confusão é perfeitamente compreensível.
Outras armadilhas no jardim: lonas, chapa ondulada e pilhas de madeira
A mangueira de jardim não é o único objeto que atrai cobras. Tudo o que acumula calor e, ao mesmo tempo, deixa um espaço escuro por baixo pode tornar-se num refúgio.
Lonas e películas de cobertura
Lonas plásticas escuras, por exemplo para cobrir lenha, materiais de construção ou móveis de jardim, funcionam de forma semelhante a um telhado com aquecimento no chão:
- O sol aquece fortemente o material.
- O ar por baixo fica claramente mais quente do que o exterior.
- Mantém-se a sombra, a proteção contra o vento e um ambiente relativamente tranquilo.
Sob uma lona preta, a temperatura pode subir de forma significativa para lá do máximo real do dia. Para as cobras, é um local ideal para se aquecerem depois da noite.
Chapas metálicas e fibrocimento
Também chapas onduladas ou placas de fibrocimento pousadas diretamente no solo criam ilhas de calor. O metal conduz e armazena o calor muito bem, e a fenda por baixo é facilmente aproveitada. Quem guarda estas placas soltas no jardim cria, sem querer, telhados perfeitos para cobras.
Cantos húmidos, entulho e armazenamento de lenha
Outro problema são as zonas desarrumadas e húmidas na margem do jardim. Aí encontram-se roedores à procura de alimento e abrigo - e onde há ratos, as cobras acabam por aparecer.
São especialmente críticos:
- baldes, galochas, regadores e cestos deixados de lado
- montes de lonas, tábuas e vasos velhos diretamente sobre o chão
- pilhas de lenha sem separação do solo
Quem armazena lenha deve elevá-la pelo menos 20 centímetros acima do solo - a circulação de ar torna o local menos atrativo para as cobras.
Como proteger o jardim com poucos gestos
A melhor forma de proteção é evitar esconderijos típicos. Pequenas alterações já fazem uma grande diferença - e, na maior parte das vezes, demoram apenas alguns minutos.
Guardar corretamente a mangueira de rega
- Depois de cada utilização, deixe-a escorrer brevemente para que não fique água no interior.
- Enrole a mangueira num suporte de parede ou num carrinho porta-mangueira.
- Não a deixe na relva alta; guarde-a sempre à vista e em posição elevada.
- Verifique regularmente se há fendas e fugas, porque poças de água atraem outros animais.
Desativar lonas, placas e entulho
- Sempre que possível, guarde lonas escuras bem esticadas ou na vertical, sem as dobrar soltas no chão.
- Coloque placas metálicas e de fibrocimento sobre paletes ou cavaletes, para que o ar possa circular por baixo.
- Remova de forma consistente o entulho húmido perto de ligações de água.
- Apoie as pilhas de madeira numa estrutura de pedras, paletes ou ripas metálicas.
Ao aplicar estes pontos, elimina-se não só possíveis refúgios para cobras, como também muitos esconderijos para ratos e ratazanas. Assim, o jardim torna-se menos atrativo para cobras por duas vias.
Como se proteger durante os trabalhos de jardinagem
Mesmo num terreno bem arrumado, vale a pena ter alguma cautela. A maioria das mordeduras acontece porque alguém mete a mão, de forma inesperada e distraída, num esconderijo.
- Ao trabalhar em vegetação densa, use sapatos resistentes ou botas de borracha.
- Ao levantar placas ou lonas, utilize sempre luvas grossas.
- Nunca levante objetos apenas com a mão por baixo; primeiro, incline-os com uma ferramenta.
- Dê ao animal uma via de fuga, sem o encurralar ou pressionar.
Puxe sempre o possível esconderijo na sua direção, de modo a que ele fique como um escudo entre si e o chão - e não o contrário.
Na Alemanha, muitas espécies de cobras nativas estão protegidas. Matar ou perseguir deliberadamente é, em regra, proibido. Já afugentar com cuidado, isto é, retirar esconderijos e manter abertas as rotas de fuga, é permitido e faz sentido.
O que fazer se vir uma cobra no jardim?
A regra mais importante: manter a calma e o distanciamento. A maioria das espécies nativas é tímida e afasta-se logo que encontra uma saída.
Passos úteis:
- Não tente apanhar o animal nem expulsá-lo com ferramentas.
- Leve os animais domésticos - sobretudo cães curiosos - para dentro de casa ou mantenha-os com trela.
- Se a cobra se refugiar num canto, evite essa zona durante algum tempo.
- Se tiver dúvidas sobre a espécie, peça ajuda, em caso de necessidade, às autoridades locais de conservação da natureza ou a especialistas.
As mordeduras de víboras são dolorosas e devem ser tratadas por um médico, mas, na Europa Central, raramente são fatais se os afetados receberem assistência médica rapidamente. Por isso, a melhor solução é não deixar que o encontro aconteça.
Porque é que jardins arrumados também trazem outras vantagens
Quem, logo na primavera, pendura as mangueiras, arruma corretamente as lonas e eleva o armazenamento da lenha, beneficia em vários aspetos. O jardim parece mais cuidado, menos pragas encontram abrigo e os trabalhos tornam-se mais seguros. Ao mesmo tempo, sebes, faixas floridas e madeira morta podem ser organizadas de forma consciente para beneficiar insetos e aves, sem se transformarem em foco de perigo.
Uma abordagem prática: caminhos abertos e bem visíveis nas zonas onde as crianças brincam ou onde trabalha com frequência, e áreas ricas em estrutura, mais próximas da natureza, nas margens do terreno. Assim, o jardim continua vivo - só a mangueira de rega é que deixa de ficar no chão como um convite para as cobras.
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