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Esta nova luz de tendência faz com que qualquer abajur de vime pareça ultrapassado.

Pessoa a ligar candeeiro de design oval num ambiente acolhedor e minimalista com sofá bege.

Um candeeiros mais nobres e inesperados: a nova tendência está a substituir os clássicos abat-jours entrançados.

Durante anos, foi quase regra haver, em muitas salas, um abat-jour entrançado de fibras naturais - rattan, verga ou juta - com um trançado solto. Era o símbolo máximo do “boho acolhedor” e aparecia em todo o lado, das redes sociais às lojas de decoração. Só que o entusiasmo está a mudar. Quem gosta de interiores começa a cansar-se do mesmo visual repetido e procura iluminação com mais presença, com um ar mais duradouro e capaz de transformar verdadeiramente o espaço. É aqui que entram dois protagonistas mais discretos, mas muito mais “adultos”: vidro tingido e cerâmica artesanal.

Porque é que o abat-jour entrançado de fibras naturais está a perder encanto

Quando um trend de decoração é copiado até à exaustão

Há alguns anos, um abat-jour de rattan ou verga parecia fresco: trazia uma sensação de férias para o dia a dia e combinava na perfeição com plantas de interior e madeiras claras. Depois, a oferta explodiu - grandes superfícies, lojas de mobiliário e vendedores online começaram a replicar as mesmas peças. Resultado: as mesmas luminárias passaram a surgir em apartamentos arrendados, cafés, alojamentos de férias e lojas de conceito.

Com tanta repetição, o que antes parecia uma escolha cuidada passou, muitas vezes, a transmitir ideia de “decoração em série”. E quem hoje decora de forma mais consciente tende a querer mais identidade e menos “casa de catálogo”.

As casas procuram parecer mais pessoais: menos “abat-jour igual ao de toda a gente” e mais luminárias com carácter e história.

Além disso, os entrançados deixam escapar a luz de forma irregular e absorvem bastante luminosidade. Em espaços pequenos ou com pouca luz natural, isso pode tornar o ambiente pesado. Quem quer ler à noite, trabalhar em casa ou simplesmente sentir o espaço mais desperto acaba por procurar uma solução que seja acolhedora, mas não sombria.

A preferência por linhas calmas e uma estética mais limpa

Em paralelo com o abandono do “sempre igual”, cresce a vontade de simplificar: menos peças, mais intenção. Sofás com linhas mais direitas, estantes mais leves, paletas mais neutras e uma casa menos carregada. Neste contexto, um grande “cesto rústico” pendurado no tecto pode parecer demasiado bruto.

O que ganha terreno são objectos de luz que combinam com esse registo: formas simples, materiais honestos, pouca ornamentação - e, idealmente, peças que continuem a fazer sentido daqui a cinco anos, mesmo que o resto da sala mude.

A nova resposta: candeeiros pendentes de vidro tingido e cerâmica artesanal (com mais carácter)

Vidro tingido: luz suave com um toque discreto de glamour

Em vez de entrançados em tom natural, entram em cena globos e cúpulas em vidro tingido: âmbar quente, verde profundo, cinzento fumado ou azul escuro. O efeito surpreende porque a luz mantém-se nítida, mas torna-se mais macia do que no vidro branco clássico.

Vantagens que ajudam a explicar o sucesso do vidro:

  • Luminosidade homogénea: a luz espalha-se de forma mais uniforme, sem sombras marcadas pelo padrão do entrançado.
  • Ambiente que muda ao longo do dia: de dia, o vidro reflecte a luz e a envolvente; à noite, torna-se um ponto de brilho suave.
  • Referências com charme retro: muitas peças lembram o estilo Mid-Century, mas continuam a parecer actuais.
  • Opções para vários orçamentos: existem modelos acessíveis e, também, versões de autor.

Em muitas salas, basta um globo generoso em vidro tingido por cima da mesa de centro para dar uma direcção nova ao espaço. Quem prefere algo mais dinâmico pode criar um conjunto com três globos mais pequenos a alturas diferentes, formando um cluster luminoso.

Cerâmica artesanal: candeeiros como pequenas esculturas

A segunda alternativa tem menos brilho e mais intimidade: cerâmica artesanal. Pode ser mate ou vidrada, com textura, pequenas irregularidades e marcas subtis de trabalho manual - detalhes que a produção em massa não consegue replicar.

A cerâmica encaixa especialmente bem em interiores com madeira, linho e tons naturais. E não precisa de ser perfeita: uma cúpula ligeiramente assimétrica ou com pequenas variações é, muitas vezes, precisamente o que lhe dá valor. O candeeiro deixa de ser “só” iluminação e passa a funcionar como uma escultura suspensa.

Um candeeiro pendente em cerâmica pode tornar-se o foco principal da sala - como uma peça de arte que, por acaso, também ilumina.

Para quem dá importância à sustentabilidade, também faz sentido: muitos ateliers de cerâmica trabalham localmente e em séries pequenas. Assim, apoia-se produção regional e evita-se ter em casa uma peça que aparece igual “na esquina seguinte”.

Como dar protagonismo às novas luminárias (sem falhar no resultado)

Altura certa: um ajuste pequeno com impacto enorme

Seja vidro tingido ou cerâmica artesanal, a distância ao chão muda totalmente a percepção do espaço. Estas regras práticas ajudam:

  • Em zonas de passagem: a parte inferior do candeeiro deve ficar a cerca de 2,0 m do chão, para evitar choques.
  • Sobre a mesa de centro: entre 1,50 m e 1,70 m, ajustando à altura do tecto e ao tamanho da mesa - cria um ponto focal sem encandear.
  • Vários pendentes juntos: planeie alturas diferentes com 15 a 25 cm de desfasamento para dar profundidade e efeito “instalação”.

Os pendentes de vidro funcionam particularmente bem com dimmer, permitindo alternar entre luz mais funcional e ambiente de fim de dia sem trocar a luminária.

Combinações de cores e materiais que resultam sempre

Para que o candeeiro não pareça um corpo estranho, estas combinações costumam ser seguras:

  • Vidro tingido + metal: âmbar com latão ou bronze dá um ar quente e acolhedor; vidro fumado com metal preto cria um toque mais limpo, quase industrial.
  • Cerâmica + têxteis: superfícies mais rugosas ficam óptimas com linho, algodão, tapetes mais espessos e tons areia e creme.
  • Repetir um tom no espaço: se a cor do vidro ou do vidrado voltar num vaso, numa moldura ou numa almofada, a sala fica imediatamente mais coerente.

Se houver dúvidas, comece por bases neutras: cerâmica branca/areia e vidro transparente ou ligeiramente fumado. Depois, pode introduzir elementos mais arrojados com calma.

(Extra) Lâmpadas e temperatura de cor: o detalhe que decide o “clima” da sala

Para tirar o melhor partido do vidro e da cerâmica, vale a pena escolher bem a lâmpada:

  • Para um ambiente acolhedor, prefira 2700 K a 3000 K.
  • Se usa a sala para ler ou trabalhar, uma lâmpada de boa qualidade com índice de reprodução cromática (CRI) ≥ 90 ajuda a manter cores naturais em têxteis e madeiras.
  • Em vidro tingido (especialmente âmbar), uma lâmpada demasiado quente pode ficar “amarela” em excesso; muitas vezes, 3000 K dá o equilíbrio certo.

Dicas práticas para mudar de estilo sem obras nem remodelações

Experimente com uma peça antes de trocar tudo

Não é necessário substituir todas as luzes de casa de uma só vez. O mais sensato é começar pelo espaço onde passa mais tempo - normalmente, a sala.

Uma sequência simples:

  1. Troque o abat-jour entrançado principal por um candeeiro pendente em vidro tingido ou em cerâmica artesanal.
  2. Após algumas semanas, avalie: a luz ficou mais confortável? O espaço parece mais calmo e com melhor qualidade?
  3. Só depois decida se vale a pena acrescentar candeeiros de mesa ou de pé na mesma linguagem.

Em casas arrendadas, procure modelos com canópia compatível e fixação simples, pensados para aproveitar o ponto de luz existente no tecto. Assim, o esforço é reduzido e a mudança é evidente.

Quanta “textura visual” o espaço aguenta?

Um pormenor muitas vezes ignorado: salas com muitas linhas e elementos (estantes, galerias de quadros, vigas aparentes) pedem formas de candeeiro mais simples. Nesses casos, um globo liso de vidro ou um cone discreto em cerâmica costuma funcionar melhor.

Já em espaços minimalistas e mais vazios, a luminária pode - e deve - ter mais presença: textura forte, cor marcada ou forma invulgar. Acaba por assumir o papel que, noutros ambientes, seria de uma grande peça de arte na parede.

Tipo de espaço Tipo de luminária recomendada Efeito no ambiente
Sala pequena Globo de vidro claro/tingido claro, mais compacto Mais leveza e sensação de tecto mais alto
Sala grande e aberta Conjunto de vários pendentes de vidro Cria zonas e aumenta o aconchego
Cantinho de leitura Pequeno pendente em cerâmica ou candeeiro de mesa em cerâmica Luz quente e pontual, com sensação de refúgio

Porque é que o vidro tingido e a cerâmica continuam atractivos a longo prazo

Luz, manutenção e durabilidade

Os pendentes de vidro limpam-se facilmente com um pano de microfibras e, se necessário, um pouco de limpa-vidros. Em zonas com mais pó ou vapores de cozinha, acabamentos mate são uma boa escolha, porque escondem melhor marcas e impressões digitais.

A cerâmica tende a ser ainda mais “tolerante” no dia a dia: o pó sai a seco, e os vidrados aguentam bem sujidade comum. Claro que convém evitar pancadas, mas pequenas microfissuras e variações de tom podem, em muitos casos, acrescentar personalidade em vez de estragar a peça.

E há um trunfo difícil de bater: apesar de as tendências mudarem, vidro e cerâmica em tons neutros costumam envelhecer bem. Pode trocar móveis, pintar paredes, mudar tapetes - e os candeeiros continuam a encaixar.

Como manter o estilo seguro (mesmo sem “olho” para decoração)

Duas regras simples ajudam a não errar:

  • Uma cor dominante por divisão: se escolher vidro tingido numa cor forte, mantenha os restantes apontamentos coloridos dentro do mesmo espectro.
  • Um destaque por eixo visual: numa sala que se vê logo ao entrar, um candeeiro principal marcante costuma ser suficiente; o resto da iluminação deve ser mais discreta.

Assim, a sala vai ficando, passo a passo, com um ar mais maduro do que o omnipresente visual do entrançado - e, ao mesmo tempo, mais tranquila, mais clara e mais intencional.

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