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Procuram-se jardins para as acolher - 3.000 galinhas salvas do abate

Mulher e menino recolhem ovos de galinhas num jardim com galinheiro e árvores de fruta.

De “animal de produção” a companheiro de jardim

Na avicultura industrial, milhões de galinhas são retiradas do sistema todos os anos após um curto período de “utilização”. No entanto, no departamento de Oise, um produtor está a tentar mudar o destino de cerca de 3.000 poedeiras: em vez de seguirem para o matadouro, podem ir viver com particulares - como fonte de ovos para o pequeno-almoço e, para muitos, como um animal de companhia inesperado.

A ideia é simples e concreta: dar uma segunda vida a galinhas que já não interessam às contas da produção intensiva, mas que, num quintal, ainda podem viver durante anos, ciscar, tomar banhos de areia e continuar a pôr ovos - só que sem a pressão do “rendimento” diário.

Vom „ausgedienten Nutztier“ zum Mitbewohner im Garten

Na indústria agrícola, as poedeiras são tratadas como um fator económico com data de validade. Ao fim de cerca de um a dois anos, a postura começa a baixar, as galinhas põem menos ovos e o custo da alimentação pesa mais - e isso deixa de encaixar no modelo. O resultado, normalmente, é o caminho direto para o abate.

É precisamente aqui que entra a iniciativa em Mory-Moncrux. A exploração local trabalha com defensores dos animais e disponibiliza milhares destas galinhas “retiradas do aviário” para adoção por famílias. Em vez de acabarem como desperdício do sistema, podem passar mais alguns anos a viver em jardins, com luz natural e espaço para se comportarem como galinhas - e ainda a pôr ovos, apenas com menos regularidade.

Na indústria, estas galinhas são consideradas “não rentáveis”, mas num jardim podem viver durante anos e pôr ovos com frequência.

Quem tem interesse vai diretamente à quinta, escolhe um ou mais animais e leva-os para casa em caixas de transporte. E faz sentido levar mais do que uma, porque as galinhas precisam de companhia - assim, forma-se logo um pequeno bando.

Warum diese Hühner „über“ sind – und trotzdem noch Eier legen

Em explorações profissionais de postura, tudo é gerido com planos de produção muito apertados. As aves atingem cedo uma postura muito elevada, que vai descendo de forma clara com a idade. Para o mercado, contam os números e a eficiência - não a personalidade de cada galinha no galinheiro.

É aqui que surge a “brecha”: muitas destas poedeiras estão fisicamente capazes, recuperam rapidamente o aspeto da plumagem e continuam, muitas vezes durante anos, a pôr ovos. Só que com pausas, variações sazonais e sem a cadência de um ovo por dia.

Para muitas, a passagem para uma casa é a primeira vez com relva debaixo das patas, luz do dia sem néons e uma vida que não é ditada por ciclos de produção. Para famílias com jardim, isto pode ser uma forma muito direta de proteção animal.

Wie die Adoption abläuft und was sie kostet

A quinta na região de Oise organiza dias de levantamento em que os interessados podem levar as suas novas galinhas diretamente do local. Não há burocracia pesada, mas há algumas perguntas básicas a esclarecer: existe jardim? Há abrigo/galinheiro? Os vizinhos estão informados?

Por animal, costuma existir uma pequena taxa de proteção. Não é um “preço de compra”, mas serve para:

  • cobrir transporte e logística
  • compensar parte dos custos de alimentação
  • garantir que os animais não são levados por impulso e sem pensar

Em troca, os novos cuidadores recebem galinhas que já “trabalharam”, mas estão longe do fim da vida. Muitos produtores referem que estas galinhas de “segunda carreira” se adaptam depressa ao jardim e tendem a tornar-se mais confiantes e mansas.

Was angehende Hühnerhalter vorher wissen sollten

Por muito apelativa que seja a imagem do ovo do próprio quintal ao pequeno-almoço, galinhas não são decoração de jardim. São animais com necessidades. Quem as recebe deve conseguir garantir pelo menos condições mínimas.

Grundausstattung für ein artgerechtes Hühnerleben

  • Auslauf seguro: Uma zona vedada no jardim ou num galinheiro exterior protege de cães, raposas e martas.
  • Abrigo para a noite: Seco, sem correntes de ar, com fecho - com poleiros e ninhos de postura.
  • Comida e água: Mistura de grãos ou ração para poedeiras, verdes, água limpa.
  • Limpeza regular: Limpar tabuleiros de dejetos, trocar a cama, estar atento a parasitas.

Quem cumpre isto recebe muito em troca: galinhas aproveitam restos de cozinha como cascas de legumes, mexem no composto, arejam o solo e produzem estrume para a horta. E têm personalidade - algumas seguem as pessoas por todo o jardim, outras preferem manter distância e observar.

Wie viele Hühner sind sinnvoll?

Galinhas são animais muito sociais e só se sentem bem em grupo. Duas é o mínimo absoluto; três a cinco poedeiras cabem em muitos jardins comuns, desde que os vizinhos não se incomodem com algum cacarejar ocasional.

Quem começa, normalmente inicia com um grupo pequeno. Mais tarde, por vezes juntam-se outras galinhas “resgatadas”, que costumam integrar-se bem em bandos já formados, desde que haja espaço suficiente.

Vorteile – für Tier, Mensch und Klima

A ação em Mory-Moncrux representa um movimento que se nota em vários países europeus: cada vez mais pessoas querem fazer mais do que apoiar o bem-estar animal “em teoria” e preferem assumir responsabilidade direta.

Quem acolhe uma poedeira descartada não salva a indústria, mas salva, de forma muito concreta, uma vida - e muitas vezes muda também a forma como olha para os animais de produção.

Para as galinhas, isto significa simplesmente continuar a viver. Em vez de terminarem no matadouro após poucos meses ou anos, podem aproveitar muito mais a sua esperança de vida natural. Para os cuidadores, cria-se uma ligação direta ao que chega à mesa.

Há ainda um pequeno efeito ambiental: galinhas reaproveitam muitos resíduos de cozinha que, de outra forma, iriam para o lixo indiferenciado. Assim reduz-se a quantidade de resíduos orgânicos, e o jardim ganha com um fertilizante rico em nutrientes. Mais local do que um ovo do próprio quintal é difícil.

Risiken und Herausforderungen, die man nicht unterschätzen sollte

Por mais encanto que tenha, criar galinhas implica obrigações. Poedeiras “usadas” da produção intensiva podem parecer frágeis no início: plumagem rala, pouca musculatura, às vezes pequenas feridas. Com boa alimentação, espaço e tranquilidade, muitas recuperam - mas nem todas ao mesmo ritmo.

Há também o tema das despesas veterinárias. As galinhas são, em geral, resistentes, mas parasitas, dificuldades na postura ou infeções acontecem. Ter um veterinário com experiência em aves a uma distância razoável é uma grande vantagem antes de as primeiras galinhas chegarem.

Quem vive em zonas muito densas deve falar com os vizinhos previamente. As poedeiras são bem mais silenciosas do que os galos, mas por vezes anunciam em voz alta um ovo acabado de pôr. Uma conversa simples evita conflitos e ajuda a perceber se todos estão confortáveis com a nova “equipa de penas”.

Warum Aktionen wie in Oise Schule machen könnten

Associações de proteção animal e explorações agrícolas observam há anos um crescimento claro do interesse por galinhas em jardins privados. A pandemia, com mais tempo passado em casa, reforçou ainda mais essa tendência. Muitas pessoas querem saber de onde vem a comida e em que condições os animais viveram.

A iniciativa no norte de França mostra que as pressões económicas da agricultura e a vontade de melhorar o bem-estar animal podem, pelo menos em certos pontos, juntar-se. As explorações reduzem custos de “descarte” e melhoram a imagem, as famílias ganham um animal fora do comum e ovos frescos, e parte das galinhas evita um fim precoce.

Quem pondera acolher galinhas - seja em França, Alemanha, Áustria ou Suíça - deve informar-se bem, planear abrigo e espaço exterior e avaliar com realismo se o cuidado diário cabe na rotina. Quando tudo isso se alinha, um “animal descartado” pode tornar-se um habitante de jardim bastante simpático, que aparece todas as manhãs à porta do terraço e pede comida com um cacarejar discreto.

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