No início do verão, ao olhar para o jardim, é comum perceber que os canteiros ainda parecem meio vazios, enquanto o orçamento para comprar plantas novas já está praticamente esgotado. É precisamente aí que entra um método quase mágico: certas espécies enraízam tão facilmente em água da torneira que, com alguns gestos simples, é possível preencher canteiros e floreiras gratuitamente.
Porque é que o início do verão é a melhor altura para fazer estacas em água
Da primavera ao fim do verão, muitas plantas ornamentais podem ser multiplicadas. O mês de junho destaca-se em particular. Nessa fase, a planta está em pleno crescimento, os rebentos ainda são tenros e a temperatura costuma andar entre os 20 e os 25 graus.
“Dias quentes, rebentos jovens e muita pressão de seiva nos tecidos fazem com que os cortes cicatrizem depressa e que novas raízes apareçam rapidamente.”
Se cortar estacas agora, consoante a espécie, poderá ter plantas jovens bem enraizadas ao fim de uma a quatro semanas. Essas mudas podem ir diretamente para vasos ou para o canteiro, preenchendo falhas sem ter de comprar plantas novas no centro de jardinagem.
As três plantas que resultam melhor num copo de água
Nem todas as espécies se adaptam da mesma forma à multiplicação em água. Três clássicas dão quase sempre bons resultados:
- Hera – ideal para muros, treliças e cestos suspensos
- Cóleo – folhagem espectacular em inúmeras cores
- Impatiens (maria-sem-vergonha) – uma campeã da floração para zonas sombrias
As três enraízam depressa no copo de água e não exigem equipamento especial. Quem cortar vários rebentos de cada planta-mãe terá, ao fim de pouco tempo, uma verdadeira “mini-horta” na janela.
Material básico: o mínimo necessário para fazer estacas em água
Para este método, bastam objetos que quase toda a gente já tem em casa. Não são precisas ferramentas profissionais caras; o essencial é a limpeza e a luz.
- Ferramenta de corte: tesoura de poda ou faca limpa e bem afiada
- Recipientes: copos pequenos, frascos de compota ou copos transparentes
- Água: água da torneira deixada a repousar durante algumas horas
- Local: claro, mas sem sol direto ao meio-dia
“Enquanto a água se mantiver limpa, a ferramenta estiver desinfectada e as estacas tiverem luz suficiente, as hipóteses de sucesso são surpreendentemente elevadas.”
Os hormonas de enraizamento podem ajudar, mas nestas três espécies são, em regra, desnecessários. Fazem parte das plantas mais fáceis, que criam raízes novas por iniciativa própria e com rapidez.
Método geral, passo a passo, para multiplicar em água
A técnica base é praticamente a mesma nas três plantas. As diferenças estão sobretudo no comprimento dos rebentos e na frequência da troca de água.
- Escolher um rebento saudável – sem pragas e sem folhas murchas.
- Definir o comprimento – consoante a espécie, cerca de 7 a 15 centímetros.
- Fazer o corte – logo abaixo de um nó, ou seja, no ponto onde nasce uma folha ou um rebento lateral.
- Retirar as folhas inferiores – as que ficariam depois dentro de água devem ser removidas com cuidado.
- Colocar a estaca no copo de água – um a dois nós devem ficar submersos.
- Mudar a água com regularidade – de dois em dois a cinco em cinco dias, antes de ficar turva.
- Plantar – assim que as raízes tiverem entre 2,5 e 5 centímetros de comprimento.
Para o plantio, chega um torrão solto e húmido num vaso ou num recipiente maior com terra para vasos e um pouco de areia. É importante evitar o encharcamento, porque as raízes jovens apodrecem depressa.
Hera em água: cobertura densa em poucas semanas
A hera é uma presença constante no jardim e na varanda. Com o método da água, é possível aproveitar o seu vigor de crescimento sem a deixar invadir tudo à volta.
Como fazer uma estaca de hera
- Comprimento do rebento: cerca de 10 a 15 centímetros
- Deve haver vários nós ao longo do caule
- Corte: logo abaixo de um nó
- Retirar as folhas da metade inferior do rebento
Os nós despidos ficam dentro de água. Aí, normalmente, surgem raízes firmes ao fim de duas a quatro semanas. Quando essas raízes tiverem cerca de cinco centímetros, a hera já pode passar para um vaso.
“A hera sente-se bem num substrato leve dentro de um vaso - aí mantém-se moldável e não se espalha sem controlo pelo jardim.”
Os recipientes com apoio para trepar ou os cestos suspensos são os mais indicados. Assim, a hera pode ser guiada de forma decorativa, em vez de ser depois necessário removê-la com esforço de muros ou árvores.
Cóleo: uma explosão de cor a partir de um único vaso-mãe
O cóleo é a estrela discreta de muitas floreiras. As suas folhas vão do verde-lima ao roxo-escuro, muitas vezes com padrões multicoloridos. Em água, multiplica-se em pouco tempo.
Passo a passo para o cóleo
- Escolher rebentos com 8 a 12 centímetros de comprimento
- Não usar pontas floridas; é melhor retirar os botões florais
- Deixar duas a três folhas no topo e retirar o resto
- Trocar a água de três em três a cinco em cinco dias
Nestas condições, o cóleo mostra muitas vezes as primeiras pontas de raiz ao fim de uma semana. Ao fim de uma a duas semanas, as raízes costumam já ter o comprimento necessário de 2,5 a 5 centímetros.
“Com poucas plantas-mãe, é possível obter, num mês, mudas suficientes para compor floreiras inteiras num só esquema de cores.”
Para uma folhagem mais forte, vale a pena cortar de vez em quando as pontas dos cóleos recém-plantados. Isso estimula a ramificação e torna as plantas mais compactas e cheias.
Maria-sem-vergonha: um tapete de flores para locais sombrios
A maria-sem-vergonha é ideal para zonas de meia-sombra ou sombra. Há ainda uma vantagem prática: pertence às espécies que criam raízes em água muito depressa.
Como usar a maria-sem-vergonha para preencher rápido
- Cortar estacas com 7 a 10 centímetros de comprimento
- Não deixar botões nem flores no rebento
- Retirar a folhagem inferior e manter o par de folhas de cima
- Renovar a água de dois em dois a três em três dias
Ao fim de uma a duas semanas, as raízes têm normalmente 2,5 a 3 centímetros. Esse tamanho já é suficiente para a planta pegar bem em floreiras e nas bordaduras dos canteiros. Ficam especialmente bonitas as combinações de várias cores, obtidas a partir de poucas plantas de origem.
“Quem corta e planta agora pode desfrutar, durante todo o verão, de massas densas e floridas em pátios e entradas sombreadas.”
Erros habituais ao fazer estacas em água - e como evitá-los
Apesar de parecer um processo simples, existem algumas armadilhas. A maioria dos problemas pode ser evitada com pequenos ajustes.
- A água fica viscosa: foi trocada com pouca frequência e os rebentos começam a apodrecer. Solução: renovar mais vezes e lavar os copos.
- Folhas dentro de água: apodrecem e prejudicam o meio. Solução: retirar todas as folhas da zona submersa.
- Janela com corrente de ar: as estacas secam facilmente. Solução: escolher um local luminoso e protegido.
- Sol direto: os copos funcionam como uma lente e a água aquece demasiado. Solução: dar apenas luz indireta.
Quem vigiar os rebentos com regularidade detecta os problemas cedo e consegue agir antes de perder toda a série de estacas.
Quando é o momento certo para plantar?
Muitos jardineiros amadores esperam demasiado, porque as raízes dentro do copo de água ficam bonitas de ver. Depois, no vaso ou no canteiro, têm de se readaptar, o que abranda o desenvolvimento da planta.
| Planta | Comprimento de raiz recomendado | Duração típica na água |
|---|---|---|
| Hera | cerca de 5 cm | 2 a 4 semanas |
| Cóleo | 2,5 a 5 cm | 1 a 2 semanas |
| Maria-sem-vergonha | 2,5 a 3 cm | 1 a 2 semanas |
Depois do plantio, a terra deve manter-se uniformemente húmida, sem ficar encharcada. Nos primeiros dias, um local de meia-sombra ajuda a reduzir o stress até as raízes se ramificarem no novo substrato.
Porque é que as estacas em água se adaptam tão bem a orçamentos apertados e pouco tempo
Muitos projectos de jardim fracassam porque tudo é comprado e plantado de uma só vez. O método dos copos de água distribui melhor o trabalho. Primeiro vêm algumas semanas tranquilas de espera pelas raízes; depois, as plantação fazem-se por fases.
Quem, ainda na primavera, planear parte da composição como “plantas-mãe” poupa uma quantia considerável no pico do verão. Sobretudo no caso dos cóleos e das marias-sem-vergonha, deixam de ser precisos tabuleiros extra trazidos do centro de jardinagem.
Ideias práticas para usar as novas plantas
Com estas mudas gratuitas, abrem-se várias possibilidades de decoração:
- Hera para paredes verdes de privacidade na varanda ou como moldura para contentores do lixo
- Cóleos como apontamentos de cor entre flores de verão mais simples
- Marias-sem-vergonha como tapete sob arbustos, onde antes só havia terra nua
- Pequenas ofertas: mudas criadas em casa num copo decorativo para dar como presente
Quem começa a experimentar estacas em água costuma, pouco depois, testar outras espécies. Muitas ervas aromáticas e plantas ornamentais também respondem bem a este método. As três espécies descritas aqui são ideais para começar, porque dão resultados fiáveis e rápidos.
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