Um equipa internacional de nutrição avaliou centenas de alimentos com base no seu valor nutricional. No topo da classificação surge uma fruta que quase ninguém repara conscientemente nos supermercados alemães: a cherimóia, também chamada maçã-da-canela ou maçã-cremosa. Com uma pontuação impressionante de 96 de 100 pontos, é considerada uma das frutas mais ricas em nutrientes de todas - e pode ajudar a reduzir o risco de hipertensão, diabetes e doenças cardíacas.
O que está por trás da pontuação máxima da cherimóia
A BBC pediu a especialistas em nutrição que ordenassem vários alimentos segundo a sua densidade nutricional. A cherimóia ficou em segundo lugar na lista geral e, assim, tornou-se a fruta melhor classificada. Apenas um alimento salgado para petiscar obteve uma pontuação superior.
"A cherimóia alcança 96 de 100 pontos possíveis - um valor de destaque para uma fruta que quase ninguém conhece."
Na avaliação entraram, entre outros fatores, as vitaminas, os minerais, as fibras, a proporção de gorduras saudáveis, o teor calórico e a relação entre nutrientes e energia. A cherimóia sobressai sobretudo porque fornece muitos compostos protetores sem, ao mesmo tempo, ser extremamente calórica.
Como é a fruta da «maçã-da-canela»
A fruta é originária das regiões andinas da América do Sul e é hoje cultivada sobretudo na América do Sul, em partes de África, na Ásia e em torno do Mediterrâneo. No exterior, lembra um cone esverdeado, ligeiramente em forma de coração, com uma casca escamada.
No interior, encontra-se uma polpa macia, de cor creme, com grandes sementes pretas. Em termos de sabor, os vendedores descrevem-na muitas vezes como uma mistura de banana, ananás e um pouco de baunilha - muito doce, cremosa e aromática.
- Casca: verde, algo áspera, não comestível
- Forma: arredondada a em forma de coração, ligeiramente cónica
- Polpa: branca a creme, macia, para comer à colher
- Sabor: doce, tropical, lembra banana e ananás
- Sementes: pretas, duras, nunca devem ser comidas
Porque a cherimóia pode ajudar a prevenir a hipertensão e a diabetes
A elevada riqueza nutricional da cherimóia resulta sobretudo de três grupos: antioxidantes, fibras e vitaminas e minerais essenciais. Em conjunto, funcionam como uma espécie de “proteção global” para o coração, os vasos sanguíneos e o metabolismo.
Antioxidantes: proteção contra inflamações silenciosas
Os antioxidantes neutralizam os radicais livres - moléculas agressivas que podem danificar as células. Esses danos favorecem inflamações silenciosas, associadas a muitas doenças crónicas: doenças cardiovasculares, alguns tipos de cancro, diabetes ou doenças degenerativas da visão.
"A cherimóia é rica em antioxidantes, que travam processos inflamatórios no organismo e, assim, podem diminuir o risco de doenças crónicas."
Quem consome regularmente alimentos ricos em antioxidantes apoia os mecanismos de defesa do corpo e alivia a carga sobre vasos, órgãos e nervos.
Fibras: ajuda para a glicemia e a digestão
A cherimóia fornece quantidades notáveis de fibras. Estas abrandam a entrada do açúcar no sangue, o que reduz os picos de glicemia após uma refeição. Para pessoas com risco aumentado de diabetes, isto pode ser um elemento importante no dia a dia.
As fibras também funcionam como “alimento” para as bactérias intestinais. Um intestino estável, com um microbioma diversificado, é cada vez mais apontado como influente também na tensão arterial, no sistema imunitário e no humor.
Minerais: apoio para a tensão arterial e o coração
Além de vitamina C e vitaminas do complexo B, a cherimóia fornece, entre outros elementos, potássio. Este mineral é considerado o antagonista do sódio (sal): uma alimentação rica em potássio pode ajudar a estabilizar a tensão arterial, ao favorecer a eliminação do excesso de sódio do organismo e ao aliviar a carga sobre os vasos.
| Nutriente (seleção) | Possível efeito |
|---|---|
| Potássio | pode baixar a tensão arterial e apoiar o ritmo cardíaco |
| Fibras | estabilizam a glicemia, promovem saciedade e digestão |
| Vitamina C | fortalece as defesas, protege as células do stress oxidativo |
| Vitamina B6 | apoia a função nervosa e tem um papel na regulação do humor |
Como a cherimóia pode tornar o dia a dia mais saudável
Naturalmente, nenhuma fruta isolada substitui uma vida saudável com exercício, sono e alimentação equilibrada. Ainda assim, a cherimóia pode ser uma peça de um plano alimentar amigo do coração, sobretudo para pessoas com risco de hipertensão ou diabetes tipo 2.
Os possíveis efeitos concentram-se sobretudo em três áreas:
- Coração e vasos: o potássio e os antioxidantes aliviam o sistema cardiovascular.
- Metabolismo: as fibras e os nutrientes ajudam a tornar a resposta da glicemia mais regular.
- Sistema imunitário e olhos: os antioxidantes e a vitamina C favorecem as defesas e podem apoiar a saúde ocular.
Efeito no humor
Os portais de nutrição referem frequentemente a cherimóia pelo seu teor de vitamina B6. Este nutriente participa na formação de neurotransmissores como a serotonina. Quem ingere B6 em quantidade suficiente pode, assim, apoiar o funcionamento normal destes processos - o que influencia indiretamente o humor e a resistência ao stress.
Como comer a cherimóia corretamente
Em Portugal, a cherimóia encontra-se mais facilmente em supermercados bem abastecidos, lojas biológicas ou mercearias orientais e latino-americanas. As frutas maduras cedem ligeiramente à pressão dos dedos, de forma semelhante a um abacate maduro.
Passo a passo
- Deixe a fruta amadurecer à temperatura ambiente até ficar macia.
- Corte-a ao meio com uma faca.
- Retire a polpa com uma colher.
- Retire as sementes de forma rigorosa - não devem ir para o prato.
A forma mais simples é comê-la pura, à colher, como sobremesa ou lanche. Também são populares estas opções:
- como parte de uma mistura exótica de salada de fruta
- em batidos, combinada com banana e um pouco de iogurte
- como cobertura de papas de aveia ou iogurte natural
- triturada e levemente congelada, como um sorvete cremoso sem açúcar adicionado
Avisos importantes: não consumir as sementes nem a casca
Por muito saudável que seja a polpa, algumas partes da cherimóia exigem atenção. Nas sementes e também na casca existem substâncias vegetais naturais que, em quantidades maiores, podem danificar o sistema nervoso. Por isso, os portais especializados aconselham claramente que estas partes não sejam comidas.
"Só a polpa da cherimóia é adequada para consumo - a casca e as sementes pertencem ao lixo, não ao liquidificador."
Sobretudo em batidos, existe o risco de as sementes serem trituradas por engano. Quem preparar cherimóia deve, por isso, retirar cuidadosamente todas as sementes.
Com que frequência se deve comer esta superfruta?
A recomendação conhecida de comer diariamente cerca de cinco porções de fruta e legumes continua a ser a base. A cherimóia pode substituir uma dessas porções quando estiver disponível. Um a dois pedaços médios de polpa são considerados uma porção habitual.
Como é relativamente doce, convém olhar também para o resto da alimentação. Quem já ingere muito açúcar da fruta através de outras frutas tropicais ou segue um plano alimentar estritamente controlado por diabetes deve falar sobre a cherimóia com o médico assistente ou com uma consulta de nutrição.
Dicas práticas para o dia a dia
Quem ficou curioso pode experimentar integrar a cherimóia em receitas simples, nas quais substitui outros componentes doces. Exemplos:
- em vez de mel no iogurte natural - envolver polpa de cherimóia
- como base para uma sobremesa: triturar cherimóia com um pouco de sumo de lima e iogurte natural
- como elemento doce numa taça com flocos de aveia, frutos secos e frutos vermelhos
Também é interessante a combinação com ingredientes de sabor mais a frutos secos, como amêndoas ou nozes. Estes fornecem gorduras polinsaturadas e complementam a polpa rica em vitaminas - uma mistura que faz a glicemia subir mais lentamente do que o açúcar da fruta consumido isoladamente.
Quem tende para a tensão arterial alta deve, para além de snacks com cherimóia, prestar sobretudo atenção ao sal, ao álcool, ao tabaco e à falta de exercício. A fruta exótica pode então ser um elemento de prazer que se enquadra bem num conceito global amigo do coração - com um sabor que oferece claramente mais do que a maçã do dia a dia.
Nota: Este texto não substitui aconselhamento médico. Quem já sofre de doenças cardiovasculares, diabetes ou intolerâncias alimentares deve esclarecer sempre com um profissional de saúde quaisquer alterações na alimentação.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário