Em Bordéus, uma pequena pastelaria está a causar grande espanto: em vez do tiramisu habitual, um napolitano mostra como a doçaria italiana é muito mais variada do que muita gente imagina.
Quem pensa em sobremesas italianas acaba quase sempre por chegar ao tiramisu. Em Bordéus, porém, surgiu agora um endereço novo decidido a virar esse cliché do avesso. Um pasteleiro de Nápoles abriu ali uma pastelaria dedicada em exclusivo aos doces tradicionais italianos - e está a provar aos clientes que o país tem um repertório de sobremesas muito mais vasto do que o imaginário comum sugere.
Um pedaço de Nápoles no centro de Bordéus
O fundador nasceu em Nápoles e só se mudou para França há alguns anos. A sua constatação foi simples: em muitos cafés e restaurantes, para terminar a refeição, havia praticamente só uma hipótese - tiramisu, em todas as variações possíveis. Para ele, era evidente que a cozinha italiana pode oferecer muito mais, sobretudo na área da pastelaria.
Em conjunto com a companheira, abriu a pastelaria “Caterina” no centro de Bordéus. A proposta é clara: confeitaria italiana autêntica, inteiramente artesanal e sem produtos pré-feitos. Tudo nasce na cozinha de produção atrás do balcão - do creme ao mais pequeno pedaço de massa.
Os responsáveis da “Caterina” apostam no trabalho puramente manual: cada doce é preparado no local, acabado de fazer, com receitas oriundas de diferentes regiões de Itália.
Esta abordagem está a resultar. Em plataformas de avaliação, a pequena loja já alcança uma média muito elevada de 4,9 de 5 estrelas - um sinal evidente de que a ideia encontrou eco em Bordéus.
Mais do que tiramisu: o que a pastelaria Caterina oferece
Claro que a vitrina não dispensa a célebre sobremesa em camadas. Mas aqui ela funciona mais como porta de entrada para o universo dos doces italianos - e não como atração principal.
Tiramisu como ponto de partida, não como destino final
Na carta há um tiramisu clássico, com café expresso, mascarpone cremoso e palitos de champanhe embebidos em café. Ao mesmo tempo, o pasteleiro aposta em versões criativas:
- Tiramisu com creme de pistácio
- Versão com um delicado toque de flor de laranjeira
A base mantém-se tradicional, mas os aromas abrem caminho a novos horizontes de sabor. O pistácio, em particular, é neste momento um ingrediente de tendência na pastelaria e costuma provocar verdadeiros momentos de surpresa entre os clientes.
Uma viagem doce pelas regiões de Itália
O mais interessante surge com as restantes especialidades. Aqui percebe-se como a cultura de sobremesas italiana varia do norte ao sul. Na montra da “Caterina” encontram-se, entre outras:
- Brioche recheada com pistácio – massa lêveda muito macia, generosamente preenchida com creme de tom esverdeado
- Cannolo da Sicília – tubo crocante, recheado com creme doce e pistácios importados diretamente da Sicília
- Maritozzo – pãozinho doce tradicional de Roma, aqui reinterpretado com pistácio ou avelã
- Zeppola com limão e cereja – pastel leve com aromas frutados, especialmente apreciado na primavera
Desta forma, a pastelaria cobre várias regiões ao mesmo tempo: Nápoles através da assinatura do fundador, a Sicília através do cannolo e Roma com o maritozzo. Cada especialidade traz consigo a sua própria história e textura - do crocante e frito ao macio e cremoso.
Bebidas ao ritmo do quotidiano italiano
Para acompanhar os doces, o casal serve bebidas adequadas. O centro das atenções é o café, mais precisamente o café clássico de Nápoles, preparado na cafeteira moka. Este método dá origem a um expresso intenso e encorpado, como aquele que muitos italianos bebem em casa.
Juntam-se ainda chás gelados ao estilo italiano, particularmente indicados para quem evita café ou prefere algo mais leve para acompanhar as peças doces. Todos os alimentos e bebidas podem ser saboreados na pequena zona de café ou levados diretamente consigo - um conceito que agrada tanto a trabalhadores de escritório à procura de uma pausa rápida à tarde como a turistas.
Quem tiver pouco tempo pode levar o cannolo, o maritozzo ou o tiramisu numa caixa - ideal para a secretária, para o parque ou para uma noite em casa.
Porque é que a pastelaria italiana está tão na moda
A cozinha italiana é, há anos, uma favorita do público - pizza, massa e risoto já fazem parte do dia a dia. Nas sobremesas, porém, a oferta ficava muitas vezes aquém. Muitos clientes conheciam apenas o tiramisu ou, com sorte, ainda a panna cotta.
É precisamente aqui que a “Caterina” entra em cena. Os responsáveis mostram que os doces italianos:
- têm raízes regionais muito fortes
- assentam em ingredientes simples, como farinha, ovos, lacticínios, frutos secos e citrinos
- variam bastante através das texturas e dos recheios - de leves e arejados a densos e ricos
Para cidades como Bordéus, onde já circulam muitos apreciadores de boa mesa, isto traz uma lufada de ar fresco ao panorama dos cafés. Quem já está cansado de croissants e macarons encontra aqui alternativas sem abdicar da qualidade artesanal.
Como planear uma visita a Bordéus
Para quem vai a Bordéus, vale a pena fazer uma breve paragem neste recanto italiano do lado doce da cidade. Um possível roteiro seria este:
- De manhã: um expresso e um cannolo para começar o dia
- À tarde: uma brioche ou um maritozzo como pausa doce entre uma visita a museus e um passeio junto ao rio
- À noite: uma versão de tiramisu para levar, como sobremesa depois de um copo de vinho regional
Assim, a cidade pode ser vivida com o charme francês e a pastelaria italiana lado a lado - uma combinação que agrada a muitos amantes de gastronomia.
O que significam cannolo, maritozzo e zeppola
Alguns destes nomes soam pouco familiares aos visitantes de língua portuguesa. Um breve guia ajuda na escolha ao balcão:
| Doce | Origem | Características típicas |
|---|---|---|
| Cannolo | Sicília | Tubo crocante, massa frita, recheio cremoso, muitas vezes com ricotta e frutos secos |
| Maritozzo | Região de Roma e arredores | Pão doce fofo, aberto ao meio e recheado com creme doce |
| Zeppola | Sul de Itália | Doce, geralmente frito ou cozido no forno, coberto ou recheado com creme e fruta |
É precisamente esta diversidade que dá graça ao conjunto. Em vez de uma única sobremesa “típica”, cada região apresenta as suas especialidades - uma das razões pelas quais muitos clientes regressam depois da primeira visita para experimentar mais sabores.
Sugestões para quem adora sobremesas italianas
Quem não conseguir ir já a Bordéus pode, ainda assim, trazer um pouco dessa atmosfera para casa. Algumas ideias:
- experimentar tiramisu com aromas alternativos, como pistácio, limão ou flor de laranjeira
- fazer massa de brioche em casa e recheá-la com uma mistura de mascarpone e pasta de frutos secos
- nas próximas férias em Itália, perguntar de forma consciente por sobremesas regionais e não apenas por tiramisu
Muitas destas receitas vivem menos de técnicas complexas do que de ingredientes de qualidade: bons frutos secos, citrinos frescos e café expresso verdadeiro. Quem não poupa aqui aproxima-se muito mais do que é servido em pequenas pastelarias como a “Caterina”.
Para Bordéus, este novo endereço tem tudo para se tornar parte fixa da cena doce da cidade. A mistura entre pastelaria italiana ligada às origens, apresentação moderna e uma recusa clara da produção em massa fala a um público que quer comer com mais atenção e procura produtos especiais - muito para lá do eterno tiramisu padrão.
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