Se, de um dia para o outro, os canteiros frescos aparecem como se tivessem sido rapados, a frustração instala-se depressa em muitos jardineiros amadores - mas os culpados podem ser travados com truques simples.
Na primavera, o jardim ganha vida de forma quase explosiva - e, com ela, também aumenta o apetite das lesmas e dos caracóis com concha. São sobretudo as plântulas mais delicadas e as plantas jovens que entram primeiro no seu menu. A boa notícia é que não é preciso recorrer a químicos nem ficar a ver os estragos de braços cruzados. Com alguns truques antigos, testados ao longo do tempo, a horta mantém-se onde deve estar: no canteiro e não no estômago dos moluscos.
Porque é que, na primavera, tudo desaparece tão depressa
As lesmas gostam de humidade e temperaturas amenas. Quando o termómetro sobe de forma estável acima dos cerca de dez graus e o solo se mantém ligeiramente húmido, elas saem à noite em busca de comida. De manhã, as trilhas de baba a brilhar a prata denunciam quem andou por lá - e, muitas vezes, o estrago já é grande.
Os canteiros de primavera são para elas um pequeno paraíso: terra fresca, folhas jovens e tenras, quase nenhuma competição. Quem não agir a tempo arrisca ver filas inteiras de alface, couve-rábano ou curgete desaparecerem durante a noite.
Quanto mais cedo os jardineiros começarem com barreiras simples contra as lesmas, menos perderão das suas sementeiras de primavera.
Regar de manhã, não à noite: uma pequena mudança com grande efeito
Muita gente rega por hábito ao fim do dia. É precisamente isso que transforma o jardim numa zona húmida quando as lesmas entram em ação. O melhor é regar logo de manhã.
- O solo fica com água na altura em que as plantas têm sede.
- A superfície seca ligeiramente ao longo do dia.
- À noite, as lesmas encontram condições menos favoráveis.
O ideal é uma rega mais profunda, para que os primeiros um a dois centímetros de terra à volta das plantas recebam água de forma completa. A pulverização ao entardecer ou a rega frequente em pequenas quantidades mantém o solo húmido durante demasiado tempo e atrai os moluscos rastejantes.
Barreiras em volta do canteiro: ásperas, secas e desagradáveis
As lesmas rastejam, e é exatamente aí que entra um dos métodos mais simples: tornar o caminho até à alface incómodo. Isso consegue-se com materiais secos e de textura rugosa, colocados em anel à volta das plantas mais sensíveis.
Materiais adequados para anéis anti-lesmas
- Casca de ovo esmagada: partir grosseiramente e espalhar em círculo à volta de cada planta jovem, com um diâmetro de cerca de dez centímetros.
- Borras de café secas: espalhar uma camada fina no solo, cerca de 150 a 200 gramas por metro quadrado.
- Areia grossa: colocar uma faixa com cerca de um centímetro de espessura à volta do canteiro.
- Serradura ou aparas de madeira: aplicar uma camada seca e fina em torno das linhas ou plantas isoladas.
- Pelos ou lã: colocar um pequeno punhado junto ao pé de cada planta - o contacto com o corpo incomoda claramente as lesmas.
Depois de chuva forte, estes anéis devem ser renovados, porque os materiais encharcados perdem eficácia. Já as camadas de cobertura lisas e húmidas, feitas de relva cortada ou folhas frescas, funcionam como um íman para lesmas e devem ser usadas com cautela perto de canteiros sensíveis.
O clássico: usar a armadilha de cerveja da forma certa
O cheiro da cerveja exerce sobre as lesmas uma atração quase mágica. Para que o truque funcione sem chamar ainda mais moluscos para o meio do canteiro, há alguns pormenores a respeitar.
- Enterrar uma taça rasa ou um copo de plástico no solo, de modo a que a borda fique ao nível da terra.
- Encher com cerca de 200 a 300 mililitros de cerveja.
- Não colocar as armadilhas diretamente entre as plântulas; o ideal é posicioná-las a 30 a 50 centímetros de distância.
Quem não quiser usar álcool no jardim pode preparar uma solução atrativa simples:
- Dissolver 1 grama de fermento seco em 50 mililitros de água morna
- Juntar 1 colher de sopa de açúcar
- Completar com 150 a 200 mililitros de água
O líquido deve ser renovado a cada dois ou três dias. De manhã, compensa fazer uma ronda rápida: as armadilhas cheias devem ser esvaziadas e voltadas a encher.
Aproveitar esconderijos como armadilhas: tábuas, cartão e tijolos
Durante o dia, as lesmas procuram refúgio em locais escuros e húmidos. Essa preferência pode ser aproveitada sem recorrer a produtos químicos nem a iscos.
Alguns esconderijos úteis são, por exemplo:
- Telhas baixas ou pedras de construção
- Tábuas de madeira
- Pedaços de cartão humedecido
Estes materiais devem ser colocados em vários pontos perto dos canteiros. Debaixo da cobertura forma-se um microclima húmido, onde as lesmas gostam de se juntar. Ao início da manhã, levanta-se os esconderijos e recolhem-se os animais.
Quem não quiser eliminá-los pode libertá-los longe do próprio jardim - pelo menos a 30 metros, de preferência bastante mais. Se forem deixados demasiado perto, regressam rapidamente às linhas de alface.
Aliados naturais: quem também se alimenta no jardim ajuda-o
Um problema com lesmas é muitas vezes sinal de desequilíbrio no jardim. Onde quase não há esconderijos, sebes ou pontos de água, faltam consumidores úteis.
Quanto mais inimigos naturais as lesmas tiverem, menos a praga devora a horta.
Estes animais estão do lado dos jardineiros
- Ouriços-cacheiros: gostam de comer lesmas sem concha e precisam de montes de folhas, ramos e cantos sossegados.
- Rãs e sapos: preferem zonas húmidas, pequenos lagos ou recipientes com água.
- Aves: melros, tordos e outras aves bicam lesmas jovens e ovos depositados no solo.
- Galinhas: quem as puder manter pode soltá-las, por períodos curtos, sobre canteiros já colhidos.
Uma simples casa para ouriços em madeira já é suficiente para muitos animais. Uma base de cerca de 40 por 40 centímetros, uma entrada com aproximadamente dez centímetros de largura e o interior forrado com folhas secas e palha cria um abrigo seguro. Pequenos cantos mais selvagens, com urtigas, madeira morta e folhas, atraem ainda insetos, dos quais por sua vez vivem os inimigos das lesmas.
Muro perfumado de proteção: ervas e flores como travão natural
Algumas plantas funcionam como repelentes para as lesmas. Elas simplesmente não gostam de certos óleos essenciais e aromas. Os jardineiros podem tirar partido disso e plantar um “cinturão aromático” à volta dos canteiros em risco.
| Planta | Efeito no canteiro |
|---|---|
| Tagetes | Aromas fortes, protegem as bordas do canteiro e tornam o aspeto mais leve |
| Alho e cebola | Afastam muitos insetos e pragas de mastigação, combinando bem com hortas |
| Hortelã | Cheiro intenso, deve ser plantada em vasos para não se espalhar |
| Tomilho e alecrim | Toleram a seca, dão sabor à cozinha e protegem as bordaduras |
Se forem colocadas de 20 em 20 ou de 30 em 30 centímetros ao longo das margens do canteiro, estas ervas e flores criam uma barreira bem percetível. Em regra, três a cinco plantas vigorosas por metro quadrado chegam para formar um corredor aromático claro. O efeito secundário é positivo: o jardim fica mais colorido e polinizadores como abelhas e abelhões encontram alimento.
A combinação faz a diferença: usar vários métodos em simultâneo
Nenhum truque isolado resolve todos os problemas com lesmas. Em anos chuvosos, é preciso ser muito mais persistente do que em períodos secos. Quem combina água, barreiras, armadilhas, esconderijos e plantas adequadas retira, passo a passo, a vontade de se servirem da refeição noturna.
Um plano semanal possível para canteiros muito afetados pode ser o seguinte:
- Regar de manhã e, depois, verificar armadilhas e esconderijos.
- Uma vez por semana, renovar as barreiras de casca de ovo, areia ou borras de café.
- Instalar armadilhas de cerveja ou de fermento em três a quatro pontos do jardim.
- Proteger logo as novas plantas jovens com anéis e uma bordadura de ervas aromáticas.
Quem inspecionar os canteiros diariamente nas primeiras semanas deteta os danos cedo e consegue corrigir o rumo. Com o tempo, estabelece-se um equilíbrio mais estável, em que as lesmas continuam presentes, mas deixam de destruir filas inteiras.
Complementos úteis: o que mais os jardineiros devem ter em conta
As lesmas adoram vegetação densa e esconderijos mesmo junto ao canteiro. Uma faixa estreita e mais aberta em volta da horta dificulta o acesso. As coberturas espessas devem ser colocadas com alguma distância das plantas muito jovens ou apenas quando estas já estiverem bem desenvolvidas.
A escolha da semente e das variedades também pode ajudar: algumas alfaces e hortícolas são consideradas menos atrativas para as lesmas, como as alfaces de cabeça firme em vez das variedades mais tenras de corte. Quando houver espaço, podem ser plantadas, nas bordas, “plantas de sacrifício” como as tagetes, que atraem mais os animais do que a faixa principal de alface.
Quem tiver crianças em casa pode transformar a recolha das lesmas numa pequena ronda ao fim da tarde. Assim, elas observam de perto a vida no jardim e, ao mesmo tempo, aprendem que nem todos os animais são inimigos - o jardim só funciona quando comer e ser comido se mantêm num certo equilíbrio.
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