Nos primeiros dias de primavera, muitos jardineiros amadores vão buscar os seus utensílios ao barracão, limpam canteiros e voltam finalmente ao trabalho. O que quase ninguém suspeita é que, precisamente, uma ferramenta de jardim aparentemente inofensiva pode transformar-se num esconderijo perfeito para cobras - aumentando de forma clara o risco de encontros desagradáveis mesmo ao lado do terraço.
Na primavera, as cobras voltam a ficar activas no jardim
Por volta de março, termina para muitas cobras nativas o período de dormência de inverno ou de hibernação. Os animais precisam agora de calor para acelerar o metabolismo. Procuram de forma dirigida zonas onde a temperatura se mantenha razoavelmente estável, entre cerca de 25 e 30 graus.
Entre os esconderijos típicos no jardim contam-se, entre outros:
- sebes e arbustos densos
- pilhas de madeira e de ramos
- muros de pedra, muros de pedra seca e amontoados de pedras
- relva alta e faixas marginais não cortadas
- por baixo de lonas, películas ou placas
As cobras usam estes locais como refúgio, para se aquecerem e para se protegerem de predadores. Em alguns países europeus, registam-se todos os anos numerosos casos de mordeduras de cobra, frequentemente causados por víboras ou outras espécies venenosas. Uma parte destes incidentes acontece porque as pessoas metem a mão ou pisam sem cuidado em possíveis esconderijos.
Quem trabalha no jardim na primavera deve contar sempre com a possibilidade de haver um réptil escondido num canto quente e protegido.
O íman subestimado: como a mangueira de jardim se transforma num refúgio para cobras
Muita gente pensa em pilhas de lenha ou em arbustos cerrados quando fala em esconderijos para cobras. Muito menos conhecido é o facto de uma mangueira de jardim vulgar, enrolada no chão, poder tornar-se um abrigo ideal.
Porque é que a mangueira é tão apelativa
O problema começa com o material. O plástico ou a borracha aquecem rapidamente ao sol. Se a mangueira ficar muito tempo no exterior, guarda esse calor. A situação torna-se especialmente crítica se a mangueira estiver:
- enrolada de forma compacta,
- directamente no chão,
- parcialmente à sombra e parcialmente ao sol,
- com alguma humidade no interior.
Depois de regar, em muitas mangueiras fica água residual. Juntamente com as paredes aquecidas da mangueira, isso cria junto ao solo um pequeno microclima húmido e quente - precisamente o tipo de condições de que as cobras gostam.
Uma mangueira de jardim enrolada funciona como uma espécie de mini-caverna: quente, protegida, apertada - perfeita para um animal que prefere manter-se oculto.
As cobras dependem da temperatura exterior
Os répteis pertencem aos chamados animais de sangue frio. Não conseguem regular sozinhos a temperatura do corpo e dependem, por isso, de fontes externas de calor. Uma mangueira de jardim em meia-sombra satisfaz vários requisitos ao mesmo tempo: protege da luz solar directa, continua a reter calor e fica perto do solo, onde o ar arrefece muitas vezes mais devagar.
Quem, na primavera ou no verão, pegar na mangueira de repente sem olhar, arrisca uma má surpresa. Nem todas as cobras são venenosas, e muitas são completamente inofensivas. Ainda assim, o susto mantém-se e, em casos extremos, pode seguir-se uma mordedura - sobretudo se o animal se sentir encurralado.
Como guardar a mangueira de forma segura para evitar cobras
A boa notícia é que, com alguns gestos simples, é possível reduzir bastante o risco, sem ter de remodelar todo o jardim.
Medidas práticas para o dia a dia
- Pendurar a mangueira: Guarde a mangueira de jardim num suporte de parede ou num enrolador, pelo menos 50 centímetros acima do chão.
- Não a enfiar em cantos: Nichos estreitos e escuros atrás do barracão ou por baixo de escadas são espaços ideais de refúgio. A mangueira não deve ficar aí.
- Esvaziar depois de regar: Deixe sair o máximo possível da água residual antes de voltar a enrolar a mangueira.
- Verificar antes de pegar: Quem não utilizou a mangueira durante bastante tempo deve olhar com atenção ou movê-la cuidadosamente com um pau.
Uma mangueira pendurada e seca perde quase por completo o seu atractivo como esconderijo.
Outros objectos de jardim que atraem cobras de forma irresistível
Não é apenas a mangueira que pode servir de abrigo. Muitos materiais típicos de jardim acumulam calor e criam fendas escuras ou cavidades - exactamente aquilo que as cobras procuram.
Esconderijos típicos no quotidiano
- Lonas e películas escuras: Coberturas sobre pilhas de madeira, piscinas ou canteiros, sobretudo quando assentam directamente no solo.
- Placas metálicas e chapa ondulada: Aquecem muito e oferecem, por baixo, um espaço protegido e quente.
- Placas de fibrocimento e restos de materiais de construção: Placas rasas no chão formam zonas de sombra com temperatura estável.
- Montes de materiais desorganizados: Tudo o que esteja empilhado de forma irregular cria pequenos vazios.
Quem arruma o jardim não elimina automaticamente o habitat das cobras, mas reduz o risco de encontros inesperados nas imediações de zonas de estar, caminhos e áreas de brincar.
Como neutralizar esses esconderijos
Com algumas regras básicas, é possível gerir bem a situação:
- Guardar placas na vertical: Coloque placas maiores ou tábuas, sempre que possível, na vertical, para que os animais não se possam esconder por baixo.
- Levantar as lonas de cobertura: Não ponha as lonas directamente no chão; coloque-as em paletes ou ripas, para permitir a circulação de ar.
- Agrupar materiais: Em vez de muitos montes pequenos, faça poucos empilhamentos organizados e fáceis de ver.
- Manter livres as áreas de brincar: À volta do parque infantil, do baloiço e das zonas relvadas para crianças, deve haver o mínimo possível de potenciais esconderijos.
Quanto menos cantos confusos um jardim tiver, menor será a probabilidade de as cobras se instalarem mesmo junto à casa.
O quão perigosas são, afinal, as cobras no jardim?
Muitas pessoas entram em pânico assim que vêem uma cobra na relva ou junto ao terraço. Na Europa Central, a maioria das espécies é pacífica e evita o contacto com pessoas. Embora existam espécies venenosas, estas só costumam atacar quando se sentem fortemente ameaçadas.
Mesmo assim, vale a pena agir com prudência. Quem avistar uma cobra no jardim deve:
- manter distância e não tentar apanhá-la;
- afastar temporariamente crianças e animais de estimação da zona;
- recuar devagar e deixar à cobra uma via de fuga.
No caso de uma mordedura na mão ou no pé, a regra é: manter a calma, mexer o menos possível na zona afectada, não colocar um garrote sem indicação médica e procurar ajuda médica.
Mais tranquilidade com algum conhecimento de base
Muitos receios em torno das cobras nascem da falta de informação. Quem percebe porque é que estes animais preferem certos locais pode organizar o seu jardim de modo a que pessoas e animais se cruzem o menos possível. Em particular, a discreta mangueira de jardim mostra como um objecto do dia a dia pode transformar-se, sem intenção, numa zona de conforto para répteis.
Quem arruma regularmente, não deixa mangueiras e placas simplesmente no chão e olha com atenção enquanto trabalha reduz claramente o risco. O jardim continua a ser um lugar agradável para as pessoas - e as cobras preferem procurar cantos mais tranquilos nas redondezas.
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