Com verões cada vez mais quentes, as variedades clássicas de fruta estão a sofrer como nunca. A macieira, a cerejeira e a pereira começam a ressentir-se logo na primeira onda de calor. Quem, apesar disso, quer colher fruta fresca do próprio jardim, anda agora à procura de alternativas resistentes ao calor. Uma árvore de fruto quase desconhecida vinda da Ásia está, de repente, a ganhar destaque - e tem tudo para se tornar a favorita da próxima época de jardinagem.
Uma árvore de fruto para tempos extremos
Os últimos anos mostraram bem o quão vulneráveis podem ser os nossos pomares. Copas queimadas, frutos secos, depósitos de água da chuva vazios: muitos jardineiros amadores desistem frustrados ou recorrem a sistemas de rega cada vez mais exigentes em água. Ao mesmo tempo, cresce a vontade de ter plantas que consigam viver com menos água e, ainda assim, produzir de forma fiável.
É precisamente aqui que o jujubeiro (Ziziphus jujuba), também chamado tâmara chinesa, revela os seus pontos fortes. A árvore é originária do norte da China e de partes da Mongólia - regiões com invernos rigorosos e verões muito secos e quentes.
Entre os especialistas, o jujubeiro já é visto há muito como a “árvore de fruto do futuro” para jardins secos.
No seu local de origem, esta árvore enfrenta invernos com temperaturas até menos 25 graus e verões em que o termómetro sobe facilmente até 40 graus. Humidade do ar? Muitas vezes muito baixa. É exatamente a esse tipo de extremos que está adaptada - uma característica que a torna cada vez mais interessante para os verões da Europa Central.
Porque o jujubeiro lida tão bem com a seca
Ao contrário de muitas árvores de fruto tradicionais, o jujubeiro não precisa de um solo profundo e rico. Consegue desenvolver-se em:
- solos muito pobres, com poucos nutrientes,
- terrenos arenosos,
- áreas compactadas, desde que tenham boa drenagem.
O que ele não tolera é água a mais: encharcamento ou zonas permanentemente húmidas e lamacentas são inadequadas. Nesses locais, surgem o apodrecimento das raízes e crescimento débil. Já quando é plantado numa terra solta e permeável, enraíza-se de forma profunda e firme.
Depois de bem estabelecida, a árvore reduz bastante a necessidade de água. Enquanto macieiras e cerejeiras parecem pedir uma mangueira no auge do verão, o jujubeiro consegue sobreviver com surpreendentemente pouca água e, mesmo assim, frutificar.
Os exemplares já bem estabelecidos mostram muitas vezes uma frutificação cheia quando outras árvores de fruto já têm a folhagem pendente.
Há ainda outra vantagem: a árvore é considerada extremamente resistente a doenças e pragas. Em muitos jardins, até agora, quase não se registam problemas relevantes com fungos ou insetos, o que reduz de forma significativa a necessidade de produtos fitossanitários.
Além disso, o jujubeiro é autofértil, ou seja, não precisa de uma segunda árvore para a polinização e não costuma entrar em “anos de pausa”. Regra geral, produz todos os anos - um argumento muito forte para jardins pequenos e terrenos urbanos.
Época de plantação na primavera: como o jujubeiro começa melhor
Quem quer introduzir esta árvore num clima seco deve, idealmente, plantá-la na primavera. Nessa altura, o solo aquece, as geadas fortes são raras e as raízes têm vários meses para se expandirem antes de chegar a primeira grande seca do verão.
Guia passo a passo para plantar o jujubeiro
A plantação é muito semelhante à de fruteiras que gostam de calor, como a romãzeira. Um plano básico:
- abrir uma cova generosa, mais larga e mais funda do que o torrão;
- misturar a terra retirada com composto maduro ou estrume bem curtido - enriquecer de forma ligeira, não “alimentar em excesso”;
- colocar a árvore de modo a que a transição entre o tronco e a raiz (o colo da raiz) fique ao nível do solo;
- encher com a terra preparada e calcar com cuidado para não ficarem vazios;
- depois de plantar, regar abundantemente e manter o solo ligeiramente húmido nos primeiros meses.
Uma camada de cobertura morta à volta do tronco - por exemplo, com restos de poda triturados, palha ou folhas - ajuda a conservar a humidade no solo durante mais tempo e estimula a vida do terreno. Depois do primeiro ano de implantação, a rega pode ser reduzida gradualmente.
Como o jujubeiro dá fruto - e a que sabe
Muitos jardineiros conhecem os frutos apenas pelo nome. Pela forma, lembram pequenas maçãs ovais ou azeitonas grandes. Consoante a variedade, começam por ser verdes e, mais tarde, passam a castanho ou castanho-avermelhado. Quando amadurecem, a textura torna-se ligeiramente coriácea.
O sabor é difícil de definir: uma mistura de maçã, tâmara e um pouco de caramelo, sobretudo quando estão bem amadurecidos. Na Ásia, são usados frescos, secos ou cristalizados na cozinha, em chá, em sobremesas ou como um lanche saudável a qualquer hora.
Quem quiser o sabor mais completo deve esperar até os frutos estarem quase totalmente castanhos e ligeiramente macios - é aí que a árvore mostra o que vale.
Na Europa Central, a colheita começa normalmente no outono, muitas vezes em outubro e novembro. Assim, o jujubeiro preenche uma lacuna justamente quando muitas espécies de fruta tradicionais já terminaram a produção.
O jardim seco inteligente: jujuba, espinheiro-marítimo e romã
Quem quiser transformar o jardim num espaço mais resistente à seca não deve apostar apenas numa espécie. O interesse maior surge quando várias árvores de fruto tolerantes à falta de água se complementam. Entre especialistas, aparece com frequência uma combinação de três: jujubeiro, espinheiro-marítimo e romãzeira.
Espinheiro-marítimo como melhorador natural do solo
O espinheiro-marítimo (Hippophae rhamnoides) também é originário de regiões pobres da Europa e da Ásia. Gosta de sol, vento e solos fracos. Tem um truque especial que o torna valioso: através de uma simbiose nas raízes, fixa azoto do ar e torna-o disponível para o solo.
Isto significa que melhora a oferta de nutrientes sem qualquer fertilizante e, dessa forma, ajuda também as plantas vizinhas. As suas bagas laranja-vivo são verdadeiras bombas de vitamina C e são muito apreciadas pelas aves.
A romã traz ambiente mediterrânico ao jardim
A romãzeira (Punica granatum) encaixa bem neste trio. É originária da região mediterrânica e aguenta bem locais soalheiros e quentes, bem como períodos ligeiros de geada. Algumas variedades suportam, em local protegido, temperaturas negativas de cerca de menos 10 graus.
Com as suas flores marcantes e os frutos grossos, cria pontos de destaque no jardim. Prefere espaços em pleno sol e solo relativamente permeável, mas adapta-se a terrenos ligeiramente ácidos até ligeiramente alcalinos.
| Espécie | Pontos fortes | Época de colheita |
|---|---|---|
| Jujubeiro | muito tolerante à seca, pouco suscetível a doenças, autofértil | Outubro a novembro |
| Espinheiro-marítimo | fixa azoto, gosta de solos pobres, bagas ricas em vitamina C | fim do verão a início do outono |
| Romãzeira | gosta de calor, decorativa, adaptável a vários solos | fim de setembro a outubro (consoante a variedade e o local) |
Em conjunto, criam uma zona de frutificação que precisa de muito pouca rega suplementar e prolonga a colheita por vários meses. Enquanto o espinheiro-marítimo colore o fim do verão, a romãzeira entra no início do outono, seguida pelo jujubeiro no fim do outono.
O que os proprietários de jardins devem ter em conta no local de plantação
Apesar de toda a sua robustez, o jujubeiro precisa de algumas condições básicas para mostrar todo o seu potencial:
- Muito sol: o ideal é um local com, pelo menos, seis horas de sol direto por dia.
- Proteção contra o vento: as árvores jovens agradecem um local razoavelmente abrigado, por exemplo junto a uma parede ou sebe.
- Drenagem: se o jardim for propenso a encharcamentos, é melhor plantar ligeiramente em cota mais alta ou criar uma camada de drenagem.
- Paciência: alguns exemplares precisam de um ou dois anos para ganhar vigor, mas depois mantêm-se firmes durante muito tempo.
Quem vive em regiões muito frias deve proteger as plantas jovens com manta térmica nos primeiros invernos ou mantê-las em vaso e passar o inverno num local fresco, mas sem geadas. Mais tarde, as árvores adultas toleram bastante mais frio.
Como o jujubeiro pode integrar-se na nossa tradição de jardim
O nome “tâmara chinesa” soa exótico para muita gente, mas a utilização é surpreendentemente prática. Os frutos podem ser secos, transformados em puré ou incorporados em cereais de pequeno-almoço e receitas de pastelaria. Na Ásia, são tradicionalmente vistos como uma fonte de energia para a estação fria.
Também é interessante a vertente ecológica: os períodos de floração tardios e a abundante frutificação fornecem alimento a insetos e aves quando outras culturas já foram colhidas há muito. Quem trabalha para criar jardins ricos em espécies e estáveis do ponto de vista climático encontra nesta árvore um elemento que se combina bem com espécies autóctones.
Dar este passo em direção a árvores de fruto adaptadas ao clima não significa banir por completo a macieira e a cerejeira. Permite, isso sim, distribuir melhor o risco: algumas variedades tradicionais, juntando-lhes espécies resistentes e pouco exigentes em água, como o jujubeiro. Assim, o jardim continua a ser mais do que uma coleção de ramos secos, mesmo em anos de seca.
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