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A Öko-Test encontrou pesticida proibido em papas instantâneas – um produto reprova totalmente.

Criança à mesa com tigela de papas quentes, frutas e sementes, e pacotes de cereais Poncs ao fundo.

Novos testes laboratoriais levantam agora dúvidas que, de certeza, não vão agradar a muitos fãs do pequeno-almoço.

As papas instantâneas estão em alta: junta-se água quente ou leite, mexe-se um pouco e está pronto um suposto pequeno-almoço energético e saudável. A publicação de testes examinou na edição atual o que realmente existe nas misturas prontas. O resultado vai desde classificações máximas para muitos produtos biológicos até uma queda a pique devido a resíduos proibidos e a um verdadeiro coquetel de pesticidas.

Pequeno-almoço da moda com imagem saudável

As papas de aveia passaram de tendência de nicho para presença habitual em muitas mesas ao pequeno-almoço. Especialistas em nutrição elogiam as papas de aveia como um alimento funcional: saciam durante muito tempo, fornecem proteína vegetal, muita fibra e minerais e podem influenciar favoravelmente a glicemia. Preparadas frescas, apenas com flocos de aveia ou farelo de aveia, constituem uma refeição bastante direta e honesta.

Na vida quotidiana, porém, muita gente opta por papas instantâneas: misturas que já incluem flocos, fruta desidratada, frutos secos e, por vezes, açúcar ou aromatizantes, precisando apenas de ser aquecidas. Foi precisamente essa comodidade que entrou agora em avaliação - com foco nos pesticidas e noutros resíduos problemáticos.

A publicação analisa 19 papas instantâneas

No total, os avaliadores compraram 19 produtos que costumam estar nas prateleiras dos supermercados, das drogarias e das lojas biológicas. Um dado salta à vista: o mercado é fortemente dominado por fornecedores biológicos. 14 das misturas testadas têm selo biológico e apenas cinco provêm de agricultura convencional.

Onze das 14 papas biológicas receberam a classificação máxima «muito bom» - um sinal forte para os consumidores que dão prioridade a alimentos com poucos pesticidas.

No segmento convencional, o quadro foi claramente pior: aí, a melhor classificação atribuída foi «bom» em apenas duas ocasiões. Três produtos saíram bastante prejudicados devido ao elevado número de resíduos detetados.

Coquetel de pesticidas ao pequeno-almoço: o que os laboratórios encontraram

Foi sobretudo nos produtos de produção convencional que surgiu um cenário preocupante. Em três dos cinco produtos convencionais, os laboratórios detetaram vários produtos fitofarmacêuticos diferentes em simultâneo. Os avaliadores falaram de um «coquetel de pesticidas» nas papas do pequeno-almoço.

Em dois produtos, foram encontrados resíduos de seis substâncias ativas diferentes em cada um. Um produto destacou-se de forma especialmente negativa: as papas de fruta da Seitenbacher. Receberam a classificação global de «insuficiente».

No produto da Seitenbacher, o laboratório encontrou vestígios de dez pesticidas diferentes - mais do que em qualquer outro produto de papas no teste.

Os especialistas da publicação criticam sobretudo esta acumulação de substâncias distintas. Cada resíduo, isoladamente, pode ainda estar abaixo dos limites legais. O problema é que continua pouco esclarecido, do ponto de vista científico, o que acontece quando vários princípios ativos se somam no organismo ao longo de muito tempo.

Substância proibida na tigela

Particularmente grave: num dos produtos analisados, foi detetada, segundo a publicação, uma substância ativa que já não está autorizada na União Europeia. Aqui não está em causa apenas a quantidade, mas sim uma proibição geral. Descobertas deste tipo mostram que os controlos de pesticidas ao longo da cadeia de abastecimento podem ter falhas - desde o cultivo das matérias-primas até às papas já embaladas.

O consumidor não consegue ver, pela embalagem colorida, se no cultivo foram usados produtos entretanto proibidos ou se os resíduos vêm de stocks antigos da matéria-prima. É precisamente aqui que a crítica se concentra: quem vende papas com promessas de saúde tem de trabalhar com especial rigor na questão dos resíduos.

Sistema hormonal em foco: desreguladores endócrinos

Entre as substâncias encontradas estavam, segundo a publicação, várias que os especialistas classificam como particularmente preocupantes. Dois nomes destacam-se: Cyprodinil e Fludioxonil. Ambos surgiram nas amostras e são considerados na União Europeia como chamados desreguladores endócrinos, ou pelo menos como substâncias suspeitas nesse sentido.

Os desreguladores endócrinos são substâncias que podem interferir no equilíbrio hormonal. Não atuam como um veneno clássico, que provoca sintomas de imediato. Em vez disso, podem perturbar, a longo prazo, as vias de sinalização das hormonas. Isto, em teoria, afeta muitos processos no corpo - desde o crescimento e o metabolismo até à fertilidade e às reações ao stress.

Sobretudo quando se trata de substâncias com efeito semelhante ao das hormonas, o que inquieta os especialistas não é apenas a dose isolada, mas também a possível exposição prolongada a muitas pequenas fontes do quotidiano.

Cyprodinil e Fludioxonil são usados sobretudo como fungicidas no cultivo de frutas e legumes. Quando frutos desidratados, bagas ou cereais são processados, podem acabar resíduos desses produtos no artigo final - incluindo nas misturas de papas com fruta.

O que isto significa para os consumidores?

Ainda assim, os resultados do teste não desenham um cenário completamente sombrio. Em especial, muitos produtos biológicos mostram que é possível produzir papas instantâneas com vestígios de pesticidas muito reduzidos ou mesmo inexistentes. Quem tiver opção pode orientar-se por esse dado.

Alguns pontos práticos para ter em conta na compra:

  • Dar preferência ao selo biológico: os produtos biológicos no teste tiveram um desempenho claramente melhor e, em geral, contêm menos resíduos.
  • Ler a lista de ingredientes: quanto mais curta e compreensível for a lista, mais perto o produto está das papas de aveia clássicas.
  • Verificar a percentagem de fruta: a fruta desidratada pode ser uma fonte adicional de resíduos de pesticidas, sobretudo nos produtos convencionais.
  • Ter atenção ao açúcar: algumas papas são mais uma sobremesa do que um pequeno-almoço, porque estão fortemente adoçadas.
  • Conhecer alternativas: flocos de aveia, água ou leite e um pouco de fruta - pouco mais é necessário para um pequeno-almoço económico e com poucos resíduos.

Porque as papas de aveia continuam a fazer sentido apesar das críticas

O teste atual não coloca em causa o princípio base das papas de aveia, mas sim a qualidade de certas misturas prontas. A aveia, por si só, é um cereal muito rico em nutrientes. Os beta-glucanos presentes podem ajudar a baixar o colesterol, a fibra contribui para a digestão e o índice glicémico relativamente baixo pode ajudar a prevenir ataques de fome.

Se forem combinadas com fruta fresca, frutos secos ou sementes, as papas tornam-se numa refeição matinal que sacia durante muito tempo e fornece muitos micronutrientes. O essencial é saber que matérias-primas acabam na tigela - se são frutas desidratadas muito tratadas, vindas de longe, ou ingredientes regionais com o menor nível possível de contaminação.

Papas de aveia feitas em casa ou mistura pronta - o que compensa?

Muitas papas instantâneas são, no fundo, apenas flocos de aveia com extras. Quem tiver algum tempo pode montar a sua própria mistura. Isso costuma poupar dinheiro e permite controlar a qualidade de cada ingrediente.

Variante Vantagens Desvantagens
Mistura pronta Muito rápida, prática para o escritório ou para viagens Menor controlo sobre pesticidas, frequentemente mais açúcar, preço mais alto por porção
Papas misturadas em casa Ingredientes escolhidos livremente, muitas vezes mais barato, mais fácil de adaptar a intolerâncias Exige um pouco mais de trabalho e planeamento na compra

Como é que os pesticidas chegam aos alimentos

Os produtos fitofarmacêuticos servem para proteger as plantas contra fungos, insetos ou ervas daninhas. Na Alemanha, estão autorizados cerca de 1.000 preparados, entre fungicidas, inseticidas e herbicidas. Normalmente são pulverizados diretamente sobre as plantas ou aplicados nas sementes como tratamento prévio.

Uma parte destas substâncias decompõe-se relativamente depressa. Outras são mais estáveis e podem permanecer no solo ou na superfície dos frutos. Quando as colheitas são desidratadas, armazenadas, transportadas e posteriormente transformadas, os resíduos podem acompanhar toda a cadeia de produção - até ao produto final do pequeno-almoço.

Os limites legais baseiam-se em dados toxicológicos e destinam-se a excluir grandes riscos para a saúde. Mas continua em aberto uma questão essencial: que efeito têm muitos princípios ativos diferentes, presentes em quantidades mínimas e vindos de alimentos distintos, quando se acumulam no organismo?

Efeitos de longo prazo e efeitos cumulativos

No dia a dia, praticamente toda a gente ingere diariamente vestígios de pesticidas, plastificantes, retardadores de chama ou outras substâncias estranhas. Cada concentração isolada fica, na maioria das vezes, abaixo dos níveis críticos. Ainda assim, os especialistas falam num «coquetel químico» a que o corpo está exposto de forma contínua.

Sobretudo no caso de substâncias com efeito semelhante ao das hormonas, coloca-se a questão de possíveis efeitos a longo prazo: poderão influenciar processos em fases sensíveis como a gravidez, a infância ou a puberdade, que só se tornam visíveis anos depois? Para isso existem poucas respostas claras. Muitos estudos ainda decorrem e outros apresentam resultados contraditórios.

Perante este cenário, umas papas instantâneas nas quais são detetados dez resíduos diferentes de pesticidas parecem, para muitas pessoas, uma carga adicional desnecessária. Quem quiser reduzir o seu risco pessoal pode agir em fatores de fácil alcance no quotidiano: escolher mais vezes produtos biológicos, sobretudo quando têm elevada percentagem de fruta e cereais, e recorrer mais a ingredientes-base preparados em casa em vez de misturas prontas muito processadas.

O teste atual mostra, assim, duas faces da mesma moeda: as papas de aveia podem ser um pequeno-almoço muito saudável - ou transformar-se num coquetel indesejado de açúcar e pesticidas. A variante que vai parar ao prato de manhã depende muito da escolha do produto e de algumas decisões informadas no supermercado.

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