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Truque de março para jardineiros: Assim atrai chapins em segurança para a caixa-ninho.

Homem a instalar uma casinha de madeira para pássaros numa árvore num jardim com flores e comedouro de aves.

Muitos jardineiros amadores conhecem bem a cena: a caixa-ninho está pendurada há meses, mas quando a primavera chega continua vazia. Na maioria dos casos, a culpa não é das aves, mas sim de pormenores como o tamanho do orifício, o local, a limpeza e a tranquilidade. Quem acerta nestes aspetos agora oferece aos chapins-reais e aos chapins-azuis exatamente o que precisam para formar família - e, ao mesmo tempo, traz conservação da natureza viva diretamente para junto da janela.

Porque agora é o melhor momento para a caixa-ninho dos chapins

Os chapins começam cedo a época. Entre abril e junho, costumam pôr de cinco a doze ovos, que são incubados durante cerca de duas semanas. Depois disso, as crias permanecem ainda quase três semanas na caixa antes de ganharem voo. Mas muito antes de o primeiro ovo ficar no ninho, já decorrem as inspeções.

No início da primavera - muitas vezes já em março - os casais andam de cavidade em cavidade, de poste em poste e também de caixa-ninho em caixa-ninho. Observam cada detalhe: segurança, sossego, dimensão, luz e cheiro. Uma caixa-ninho que já esteja preparada, limpa e bem colocada sai rapidamente vencedora nesta “visita às casas”.

Quem limpar, inspecionar e orientar corretamente a sua caixa-ninho antes do início do cortejo aumenta de forma clara a probabilidade de ter crias de chapim.

Importa lembrar: assim que notar que um casal entra e sai com regularidade ou leva alimento para o interior, qualquer verificação deixa de ser permitida. Os chapins estão fortemente protegidos e, nessa fase, a caixa já não pode ser aberta nem mudada de lugar.

Como deve ser construída uma caixa-ninho para chapins

Para nós, a aparência conta; para os chapins, o que pesa é a função. Caixas decorativas coloridas, com um orifício grande e contraplacado fino, até podem parecer simpáticas, mas para as aves transmitem frequentemente insegurança. Uma caixa “boa” é mais discreta, mas também mais robusta e prática.

Os materiais certos

  • Madeira não tratada, de preferência espessa (pelo menos 18 mm)
  • Sem tintas nem lasures tóxicos no interior
  • Em vez de plástico, materiais naturais que ajudem a regular a temperatura
  • Um telhado saliente que proteja bem da chuva

As superfícies de madeira em bruto ajudam a criar um melhor ambiente no interior e dão apoio às crias quando, mais tarde, sobem em direção ao orifício de saída.

O tamanho decisivo do orifício de entrada

Muitas caixas falham por causa do diâmetro errado do orifício. Para os chapins, isto não é um detalhe - é o que determina a segurança e a concorrência.

Espécie Diâmetro do orifício
Chapim-azul 25–28 mm
Chapim-real 32 mm
Pequenas aves em geral 28–32 mm (consoante a espécie-alvo)

A partir de cerca de 34 milímetros, o orifício passa a interessar a espécies maiores, como os pardais. Estes podem afastar os chapins ou tomar a caixa para si. Quem quer promover chapins de forma específica deve, por isso, prestar muita atenção ao tamanho do orifício.

Também é importante não colocar por baixo da entrada um pequeno pau ou prateleira como “poleiro”. Esse tipo de apoio facilita sobretudo a tarefa de gatos, martas ou pegas, que conseguem assim chegar mais facilmente à abertura.

Como montar corretamente o interior e a higiene

A distância entre o fundo da caixa e a parte inferior do orifício de entrada deve ser de cerca de quatro a seis centímetros. Desta forma, fica espaço suficiente sob o ninho e as crias não ficam diretamente ao nível da abertura - o que reforça a proteção contra predadores e contra o tempo.

Um telhado articulado ou uma frente deslizante facilita a limpeza. Em regra, uma vez por ano basta:

  • No outono, retirar o material antigo do ninho.
  • Raspar o interior em seco e remover os restos soltos.
  • Enxaguar com água, evitando produtos de limpeza agressivos.
  • Deixar secar muito bem e voltar a fechar.

Uma breve verificação no fim do inverno mostra se se acumulou humidade, bolor ou fezes de roedores. Assim que os chapins começarem as visitas de interesse, a caixa deve ficar fechada.

O local perfeito: altura, orientação e tranquilidade

Mesmo a melhor caixa-ninho fica vazia se o local e a orientação não forem os adequados. Os chapins gostam da proximidade da casa, mas evitam a agitação constante.

A que altura deve ser pendurada a caixa

O ideal é colocá-la a dois ou três metros de altura. Isso é:

  • alto o suficiente para dificultar o acesso a gatos e cães
  • baixo o suficiente para permitir um acesso seguro com escada

A caixa pode ser fixada num tronco, numa pérgula estável ou numa parede de casa. Uma ligeira inclinação para a frente ajuda a escoar a água da chuva e impede que ela entre pela abertura.

Direção cardeal certa e sossego à volta

A abertura não deve ficar virada a oeste nem a norte, onde a chuva e o vento frio atingem com mais frequência a frente da caixa. As orientações que costumam resultar melhor são:

  • Este ou sudeste: sol da manhã suave, seco e com temperatura agradável
  • Proteção ligeira dada por ramos ou sebes, mas com acesso livre para a entrada

A zona em frente à caixa não deve estar completamente despida, como uma pista de descolagem, mas as aves precisam de um corredor de aproximação claro. Hera muito densa mesmo à frente da abertura tende a afastá-las.

A tranquilidade é fundamental. Uma caixa-ninho logo por cima do terraço, ao lado do baloiço ou junto à porta de casa, que é muito usada, parece demasiado arriscada. O mesmo acontece se estiver demasiado perto de um comedouro, onde há sempre demasiado movimento.

O comedouro pode continuar no jardim - mas deve ficar pelo menos alguns metros para o lado, para que não haja circulação constante em frente à caixa-ninho.

Como atrair ainda mais os chapins para o seu jardim

Uma caixa isolada chama aves, mas um jardim natural transforma-a num território permanente. Quem quer apoiar os chapins deve pensar em três coisas: alimento, água e esconderijos.

Plantas que realmente ajudam os chapins

No verão, os chapins alimentam as crias sobretudo com insetos e larvas. Estes não vêm de saquinhos, mas sim das plantas autóctones. Boas opções são:

  • Sebes de carpino, alfeneiro ou espinheiro-branco
  • Árvores de fruto e arbustos de bagas
  • Cantos de aromáticas com tomilho, orégãos e salva
  • Prados de flores silvestres em vez de relvados cortados muito rente

Quem não mantém cada canto “impecável”, mas permite montes de folhas, alguns caules secos e madeira morta, cria inúmeros abrigos para insetos - a despensa perfeita para as famílias de chapins.

Água e alimentação no inverno

Um recipiente raso com água ou uma pequena banheira para aves, colocada à vista da caixa-ninho, funciona como um incentivo adicional. A água deve ser mudada com regularidade e, quando necessário, limpa com uma escova.

No inverno, os comedouros ajudam os chapins a reconhecer o jardim como um local seguro. O importante é que, na primavera, o comedouro e a caixa-ninho não fiquem demasiado próximos, para que o território de reprodução permaneça protegido.

O que nunca deve fazer

As boas intenções não chegam; alguns erros tornam a caixa rapidamente pouco atrativa ou até perigosa.

  • Abrir ou deslocar a caixa-ninho durante a época de reprodução
  • Forrar o interior com restos de alcatifa, algodão ou tecido
  • Usar produtos de proteção da madeira ou tintas com cheiro intenso
  • Permitir que os gatos cheguem facilmente ao tronco ou à parede
  • Expor a caixa sem proteção ao sol forte do meio-dia

Quem tem gatos pode dispensar uma coleira com sineta se envolver o tronco com um anel largo de metal ou plástico, que os animais não consigam trepar.

Porque vale a pena o esforço para a pessoa e para a natureza

Um casal de chapins captura, durante o período de alimentação, milhares de insetos, incluindo pulgões, lagartas e mosquitos. A caixa-ninho torna-se assim uma espécie de “polícia biológica” do jardim contra as pragas. Ao mesmo tempo, crianças e adultos observam de perto como decorre todo o processo de reprodução - desde o primeiro voo cauteloso até ao dia em que as crias abandonam a caixa.

Quem instala uma caixa aprende também, quase sem dar por isso, alguns termos típicos: o modelo com pequeno orifício redondo chama-se “caixa para nidificantes de cavidade”, e os chapins pertencem a este grupo. Espécies como o rouxinol-comum e o melro-preto, por outro lado, preferem meia-cavidade ou ninhos abertos. Com caixas diferentes, é possível favorecer espécies distintas sem que interfiram umas com as outras.

A longo prazo, pode ser útil distribuir no jardim não apenas uma, mas várias caixas-ninho - a alturas e com orientações diferentes. Assim nascem pequenos “bairros de aves”, onde, além dos chapins, também se instalam outras espécies autóctones. Quem limpar rapidamente todos os anos no fim do outono e fizer uma verificação no final do inverno cria as melhores condições para que, na primavera, não fique pendurada no ramo uma caixa de madeira vazia, mas sim um animado infantário de chapins.

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