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Nova descida nas taxas das cadernetas de poupança: a Caderneta A perde atractivo

Jovem preocupado a ler documento junto a gráfico, jarro com moedas e smartphone numa mesa de madeira.

Uma nova redução pode estar prestes a atingir as taxas de juro das cadernetas de poupança. Para muitos aforradores, estes níveis começam a parecer demasiado baixos.

Apesar disso, continua a ser um dos produtos mais populares: a Caderneta A conquista perto de 80% das pessoas pela sua utilização simples. Acresce que é um produto isento de imposto e permite levantar o dinheiro em qualquer momento, sem períodos de bloqueio. Ainda assim, a diminuição sucessiva da remuneração destas aplicações com garantia do Estado está a gerar frustração - sobretudo porque tudo indica que poderá haver nova descida. Eis o que se sabe.

Caderneta A e taxas de juro: aproxima-se uma nova descida

Antes de mais, vale a pena recordar as taxas de juro actualmente em vigor nas principais cadernetas:

  • Caderneta A e Caderneta de Desenvolvimento Sustentável e Solidário (LDDS): 1,70%
  • Caderneta de Poupança Popular (LEP): 2,70%
  • Conta Poupança Habitação (CEL): 1,25%

Segundo um ponto de situação divulgado pelos nossos colegas do Moneyvox, o cenário não é particularmente animador no que toca à remuneração destas soluções.

Na próxima revisão das taxas, prevista para fevereiro, um dos indicadores mais acompanhados será a inflação (excluindo tabaco), que deverá situar-se próximo de 1%. Em paralelo, é também tido em conta o €ster, um índice relacionado com a taxa de depósito do Banco Central Europeu (BCE): ao longo deste ano, esse indicador foi sendo cortado de forma regular e poderá estabilizar em torno de 1,80%.

Com base nesses parâmetros, os cálculos do site especializado apontam para uma taxa da Caderneta A de 1,4%, o que representaria uma nova descida de 0,30 pontos percentuais. Já a LEP também poderia recuar 0,30 pontos, passando para 2,40%.

Importa sublinhar que estes valores ainda podem mudar caso surjam alterações até à data da actualização. Além disso, tratam-se de estimativas: nada impede o Governo de optar por um ajuste extraordinário que atenue significativamente a descida. Em última análise, a decisão tem um peso claramente político.

A Caderneta A já não entusiasma: perda de confiança no produto

A Caderneta A, que durante anos foi vista como um símbolo da poupança “sem complicações”, atravessa um momento de clara erosão de confiança. De acordo com um estudo referido recentemente, 81% dos aforradores admitem reduzir, pelo menos em parte, a utilização deste produto.

A principal razão é a insatisfação com a remuneração: 64% das pessoas inquiridas consideram desmotivadora a descida contínua da taxa. Apenas 16% dizem manter-se totalmente fiéis a esta forma de poupança, enquanto 17% já nem sequer a possuem.

No centro da discussão está a perda de poder de compra. Cerca de um terço dos inquiridos sente que está a “perder poder de compra” ao manter dinheiro na Caderneta A, e 31% partilham essa percepção de forma mais moderada. Como a inflação tende, estruturalmente, a ficar acima da remuneração do produto, o valor real das poupanças vai sendo desgastado - e isso vai afectando a confiança ao longo do tempo.

O que considerar antes de mexer nas suas poupanças

Mesmo com taxas mais baixas, estas cadernetas continuam a ter vantagens muito claras: capital disponível, baixo risco e simplicidade. Para muitas famílias, podem manter um papel útil como “fundo de emergência”, desde que se aceite que não são, tipicamente, um instrumento de valorização do património em termos reais.

Quem procura melhorar a relação entre risco e retorno tende a comparar com alternativas que, embora possam render mais, também trazem outras características (prazo, risco de mercado, comissões ou fiscalidade). Em qualquer caso, faz sentido alinhar o montante guardado nestes produtos com objectivos concretos: liquidez imediata, reserva para imprevistos ou poupança para metas com um horizonte mais longo.

Perante estas descidas sucessivas das taxas de juro, qual é a sua leitura: prefere manter a segurança e a disponibilidade, ou está a ponderar redistribuir parte da poupança para outras soluções?

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