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A BYD substitui a Tesla na Europa: -48% para a Tesla vs +200% para a BYD, os números não enganam.

Carro elétrico desportivo vermelho apresentado em salão automóvel, ambiente moderno e iluminado.

Quem consegue travar a BYD? Ao que tudo indica, ninguém - nem sequer a Tesla. No terceiro trimestre de 2025, o colosso chinês do automóvel voltou a impor-se como referência no mercado dos elétricos, com uma vantagem clara sobre o rival norte-americano.

A indústria automóvel global está a viver uma viragem difícil de ignorar: o mercado do veículo 100% elétrico (BEV - Battery Electric Vehicle) deixou de ter um líder ocidental. A BYD confirmou a sua liderança no terceiro trimestre de 2025, ultrapassando de forma expressiva a Tesla no panorama mundial dos BEV.

De acordo com os dados da consultora TrendForce, os números falam por si: no terceiro trimestre de 2025, a BYD atingiu 15,4% de quota de mercado mundial no segmento BEV, mantendo o estatuto de maior vendedora de veículos elétricos do mundo.

Ainda que tenha registado uma ligeira quebra face ao segundo trimestre, a BYD apresentou um desempenho anual muito forte, com 582.522 automóveis elétricos vendidos no trimestre, o que representa um crescimento homólogo de 31,37%. Este resultado surge num contexto de expansão do próprio mercado: no período, foram vendidos 3,71 milhões de BEV a nível global, ou seja, mais 48% do que há um ano.

BYD na Europa: crescimento explosivo e volumes superiores à Tesla

Na Europa, o contraste entre as duas marcas é particularmente evidente. Enquanto a Tesla viu as suas vendas cair 48% no mês de outubro, a BYD disparou 200% no mesmo período.

A diferença nota-se também na escala: - Tesla: 6.964 unidades vendidas na Europa
- BYD: 17.470 unidades vendidas na Europa

Pressão máxima para Elon Musk

Atrás da BYD, a Tesla mantém o segundo lugar, com 13,4% de quota de mercado e 497.099 entregas BEV no terceiro trimestre. Em termos de evolução, a marca norte-americana registou +7,39% em termos homólogos e +29,41% face ao trimestre anterior.

A Tesla beneficiou de dois fatores relevantes: por um lado, incentivos fiscais nos Estados Unidos; por outro, uma melhoria do desempenho na China, ajudando a sustentar a sua posição no ranking global.

O relatório também destaca a subida de outros fabricantes chineses, com especial impacto no equilíbrio competitivo do setor: Geely (6% de quota de mercado), Leapmotor (4,1%), além de XPeng e Xiaomi. Esta dinâmica cria pressão não apenas sobre a Tesla, mas também sobre os grandes grupos europeus, que continuam a procurar respostas convincentes para voltar a conquistar os consumidores.

Apesar das dificuldades sentidas por vários construtores do Velho Continente, a Tesla ainda dispõe de algumas alavancas para proteger a sua posição. A empresa tem beneficiado de um renewed interesse nos seus mercados históricos, impulsionado por políticas de subsídios mais favoráveis e por uma imagem de marca muito consolidada. Prova disso é que o crescimento das suas entregas no terceiro trimestre continua entre os mais rápidos do mercado.

Um fator adicional que está a pesar cada vez mais na decisão de compra, sobretudo na Europa, é o ecossistema: preços finais após incentivos, condições de financiamento e disponibilidade de carregamento. À medida que as marcas alinham campanhas e parcerias para carregamento público e doméstico, a disputa deixa de ser apenas “produto vs. produto” e passa também por conveniência e custo total de utilização.

BYD além dos BEV: liderança em PHEV e metas ambiciosas para 2026

O domínio da BYD não se limita aos 100% elétricos. A marca chinesa ocupa também o primeiro lugar mundial nos híbridos plug-in (PHEV), com 27,9% do mercado, embora as suas vendas neste segmento tenham recuado 23,73% em termos homólogos.

A estratégia internacional está longe de abrandar: a BYD aponta para até 1,6 milhões de vendas fora da China já em 2026, suportadas pelo lançamento de novos modelos. Outro ponto-chave são as previsões para o setor: as projeções para 2026 indicam 22,8 milhões de veículos eletrificados (NEV) vendidos, e a BYD pretende capturar uma fatia significativa desse volume.

Há ainda um elemento estrutural que ajuda a explicar a consistência desta trajetória: a capacidade de controlar componentes críticos e acelerar a introdução de novas gamas, mantendo preços competitivos. Com o mercado global a crescer e a concorrência chinesa a ganhar escala, tudo indica que o “rolo compressor” da BYD continuará a dar que falar.

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