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Mulheres Empoderadas

Mulher confiante caminha com bloco de notas, grupo diverso discute em telhado ao fundo sob céu com nuvens.

A iniciativa Amal foi criada em 2012 pela luso‑americana de origem marroquina Nora Fitzgerald Belahcen, na sequência de uma parceria com duas mulheres da comunidade que vendiam brownies. Além de funcionar como projecto social, a organização gere um restaurante, promove aulas de culinária e mantém um café em língua gestual, totalmente gerido por mulheres surdas.

No centro do programa está a capacitação de participantes através do ensino de culinária marroquina e internacional, com o objectivo de apoiar a empregabilidade e também a criação do próprio negócio. Desde a sua fundação, mais de 350 mulheres concluíram a formação, saindo com competências práticas orientadas para o mercado.

A abordagem combina formação profissional com apoio ao reforço da autoconfiança e à literacia financeira, criando condições para que as participantes ganhem autonomia e consigam planear o futuro com maior segurança. O percurso formativo procura, assim, responder tanto às exigências técnicas do sector como às barreiras sociais e económicas que frequentemente limitam o acesso das mulheres a oportunidades estáveis.

O contexto reforça a urgência deste tipo de intervenção: Marrocos ocupa o 137.º lugar em 148 países no Índice Global de Desigualdade de Género, e as mulheres representam pouco mais de 22% da força de trabalho do país. A ação da Amal posiciona-se, por isso, como um mecanismo concreto de inclusão, com impacto directo na vida profissional das participantes.

Para além das aulas e do trabalho em ambiente real de restauração, a experiência em atendimento ao público e em rotinas de cozinha profissional ajuda a consolidar hábitos de trabalho, comunicação e organização. Este contacto diário com padrões de qualidade e serviço pode facilitar a transição para empregos formais ou para iniciativas de empreendedorismo ligadas à alimentação.

A organização também contribui para a economia local ao criar redes com clientes, fornecedores e a comunidade, reforçando a visibilidade do trabalho das mulheres e, em particular, das mulheres surdas através do café em língua gestual. Ao normalizar a inclusão em espaços abertos ao público, promove-se não só a independência financeira, mas também o reconhecimento social das participantes.

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