Muitas salas de estar ainda continuam fiéis ao velho candeeiro entrançado, mas há um material a ganhar terreno a grande velocidade - e o resultado parece imediatamente mais maduro.
Durante anos, os candeeiros de tecto entrançados em fibras naturais foram quase obrigatórios para quem queria uma casa “boho” e acolhedora. Só que a maré mudou no mundo do design de interiores. Designers, lojas e cada vez mais pessoas estão a trocar o entrançado por soluções com um ar mais elegante, mais alinhadas com consumo consciente, design duradouro e linhas visuais mais limpas.
Porque é que o candeeiro boho entrançado está a perder o encanto
Quando um estilo passa a estar em todo o lado
Cafés, alojamentos de férias, estúdios criativos, apartamentos em loft, até salões de cabeleireiro: os candeeiros entrançados em rattan e outras fibras naturais tornaram-se omnipresentes. E é precisamente isso que agora joga contra eles. O que antes sugeria viagem, artesanato e descontração, hoje lembra a muita gente interiores “copiados e colados” do Instagram.
Quem está a decorar de forma mais consciente procura menos produção em massa e mais identidade. Uma sala de estar já não deve parecer a fotografia de um catálogo ou a “enésima” casa de férias: deve refletir a personalidade de quem vive ali. Isso consegue-se com peças que contam uma história - não com um candeeiro que se reconhece, literalmente, em todos os tectos.
A nova vontade de habitar está a afastar-se dos padrões boho rápidos e a aproximar-se de candeeiros que se apresentam como pequenas obras de arte.
Salas de estar pedem mais clareza - e um toque de brilho
Ao mesmo tempo, mudou a expectativa sobre a sensação do espaço. Sofás, aparadores e mesas (de centro e de jantar) estão a ficar mais depurados, calmos e com aparência mais premium. Ao lado disso, o entrançado rústico pode parecer demasiado “brincalhão” e grosseiro: absorve luz, cria sombras agitadas e conversa mal com superfícies mais refinadas, como folheados elegantes, acabamentos tipo betão ou têxteis aveludados.
E como a tendência vai no sentido de slow living - cores tranquilas, menos peças, mas melhor escolhidas, materiais mais conscientes - a iluminação passa a ter um papel central. Um candeeiro já não é apenas funcional: é um statement de estilo. É aqui que entram os novos favoritos.
O novo preferido: candeeiros de vidro fumado e cerâmica artesanal
Vidro fumado (ou tingido): sensação retro e luxo discreto, sem aspeto de “bast”
O favorito inesperado desta primavera é o vidro fumado (ou vidro tingido). Em âmbar quente, verde-garrafa, cinzento fumado suave ou azul profundo, o vidro marca um território claramente mais sofisticado do que qualquer entrançado.
Ao contrário do candeeiro de cesto, que muitas vezes deixa a luz “manchada”, o vidro distribui a luminosidade de forma mais uniforme. O espaço fica mais sereno, mas ainda assim acolhedor. E, conforme a hora do dia e a incidência do sol, os reflexos na superfície mudam e dão vida ao ambiente.
- Durante o dia, um balão de vidro colorido funciona quase como um objeto decorativo, mesmo apagado.
- À noite, cria luz macia e envolvente, sem as famosas “sombras às riscas” do entrançado.
- Com lâmpadas reguláveis (dimmer), o ambiente transita do claro para tarefas até uma atmosfera de lounge.
Também há uma vantagem prática para quem tem orçamento controlado: um único pendente de vidro bem escolhido - sobre a mesa de centro ou no centro da sala - pode transformar a perceção do espaço sem trocar mobiliário.
Um conjunto simples de móveis, combinado com um candeeiro de vidro marcante, costuma parecer mais valioso do que um amontoado boho cheio de objetos.
Cerâmica artesanal: candeeiros que parecem pequenas esculturas
A segunda grande alternativa ao candeeiro entrançado vem do atelier: candeeiros de cerâmica, idealmente feitos à mão. Em vez de “trama”, a cerâmica aposta em textura. Em vez de repetição industrial, valoriza irregularidades visíveis - aquelas pequenas diferenças que fazem cada peça parecer única.
As versões mais comuns vão do barro cru e ligeiramente arenoso, passando por vidrados mate e calcários, até superfícies brilhantes quase líquidas. Cada acabamento muda a energia do espaço:
- Cerâmica sem vidrado e com toque ligeiramente rugoso: encaixa em tons naturais, tapetes de trama grossa e madeira maciça.
- Abajures com vidrado mate: criam um visual suave e discreto, muito adequado a interiores minimalistas.
- Peças únicas com vidrado brilhante: funcionam como objetos de arte e elevam uma sala simples quase sozinhas.
E como a cerâmica tem mais presença visual do que o vidro, “aterra” o ambiente. Um pendente em barro ou grés não parece um acessório - parece um ponto fixo intencional, em torno do qual o resto da sala se organiza.
Um critério extra que ajuda na escolha: origem e durabilidade
Se a ideia é alinhar a mudança com consumo mais consciente, vale a pena olhar para a proveniência. No vidro, procure ferragens substituíveis e copos fáceis de limpar. Na cerâmica artesanal, pergunte pelo tipo de vidrado, resistência ao calor e se a peça tem pequenas variações (um bom sinal de trabalho manual, quando bem executado).
Outra decisão inteligente: escolher um modelo com design intemporal e componentes standard (casquilho, cabo, canópia). Assim, daqui a anos pode atualizar o cabo, trocar a lâmpada por tecnologia mais eficiente ou mudar o local do pendente - sem “descartar” a peça.
Como destacar os novos candeeiros (sem parecer showroom)
Altura certa: o truque nº 1 para um efeito profissional
Mesmo o mais bonito candeeiro de vidro ou cerâmica perde impacto se ficar mal pendurado. Há regras simples que fazem diferença:
- Em zonas de passagem, a parte inferior deve ficar idealmente a cerca de 2 metros do chão.
- Sobre uma mesa de centro ou consola baixa, o conjunto fica mais equilibrado se terminar por volta de 1,60 m do chão.
- Vários pendentes pequenos de vidro, em alturas ligeiramente diferentes, criam um “cacho” luminoso e dão pontos de repouso ao olhar.
O objetivo é o candeeiro marcar zonas - canto do sofá, lugar de leitura, mesa de jantar - sem parecer um elemento “colado” ao acaso. Se o cabo puder ficar ligeiramente solto (até com uma curva controlada), o efeito técnico suaviza e a sala ganha mais conforto visual.
Combinar cores e materiais com intenção
Para que a transição do entrançado resulte, não basta trocar o candeeiro e manter tudo igual. Pequenos ajustes à volta ajudam o novo estilo a parecer natural.
O vidro fumado fica especialmente bem com:
- metais como latão mate ou escovado
- estruturas pretas ou antracite em mesas de centro e estantes
- cortinados leves, por exemplo em branco-sujo, areia ou verde-sálvia
A cerâmica pede um pouco mais de calor no conjunto:
- têxteis naturais como linho e algodão de trama mais grossa (almofadas e cortinas)
- tapetes densos e macios como base acolhedora
- madeiras com veios visíveis, em vez de superfícies muito brilhantes
Ao trocar o candeeiro de cesto, compensa ajustar pelo menos mais dois ou três detalhes - almofadas, mesa de apoio, castiçais - para que a mudança de estilo fique coerente.
Luz em camadas: a diferença entre “bonito” e “bem iluminado”
Uma sala não vive só do candeeiro do tecto. Para um resultado mais adulto, combine três níveis: luz geral (tecto), luz de tarefa (candeeiro de leitura junto ao sofá) e luz ambiente (apliques, fita LED discreta ou candeeiros de mesa). O vidro e a cerâmica brilham ainda mais quando não têm de “fazer tudo” sozinhos - e o espaço ganha profundidade sem acumular objetos.
Dicas práticas para o dia a dia com vidro e cerâmica
Limpeza, tecnologia de luz e erros comuns
Candeeiros de vidro atraem pó e impressões digitais com facilidade. Normalmente, um pano de microfibra resolve; de vez em quando, um pouco de limpa-vidros ajuda. Nos tons escuros, o pó nota-se mais depressa - mas, em contrapartida, à noite o efeito é especialmente atmosférico.
A cerâmica tende a ser mais resistente no uso diário, mas pode lascar se levar uma pancada numa aresta. Se houver crianças pequenas ou animais de estimação muito ativos, é prudente pendurar a cerâmica um pouco mais alto ou optar por modelos mais compactos e fora da “rota” de impactos.
O ponto decisivo é a lâmpada. Para sala de estar, o ideal costuma ser branco quente entre 2.700 e 3.000 Kelvin. Em vidro fumado (ou muito colorido), uma luz demasiado quente pode parecer “laranja”; nesses casos, vale a pena experimentar uma opção ligeiramente mais neutra dentro do mesmo intervalo.
Porque esta mudança é mais do que decoração
Deixar o candeeiro entrançado para trás também traduz uma alteração de atitude: menos excesso, mais qualidade. Vidro fumado e cerâmica artesanal sugerem escolhas mais intencionais - peças que se compram para durar, em vez de trocar a decoração todos os anos.
Ao escolher com cuidado, cria-se um centro calmo e valorizado na sala. Um pendente de cerâmica expressivo sobre a mesa de centro, um pendente de vidro ao lado do cadeirão para o canto de leitura - e, passo a passo, nasce uma sala que não parece “tendência”, mas sim expressão de uma forma de viver.
No fim, muitas vezes basta um gesto decidido: retirar o antigo candeeiro de fibras, optar claramente por vidro ou cerâmica e ir afinando o resto com subtileza. Para muita gente, o efeito é o de um pequeno recomeço em casa - perfeito para a energia da primavera.
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